Uma geração PHN

Escrito por omensageiro_master

[vc_row][vc_column][vc_single_image image=”30519″ alignment=”center” style=”vc_box_shadow_border”][vc_column_text]Francisco José dos Santos, conhecido como Dunga, tem um sonho realizado, o de ver uma geração que diz: “Por hoje, não vou mais pecar”. Essa frase foi abreviada, tornando-se o grito PHN, dado por milhares de jovens que buscam melhorar de vida e encontram nela um apoio para viver um dia de cada vez, lutando contra o pecado. Aos 49 anos, Dunga, um dos mais conhecidos pregadores católicos no Brasil, esbanja jovialidade, não apenas nas roupas (camiseta, calças jeans e boné), mas principalmente no sorriso fácil, nas risadas e nas falas cheias de convicção e entusiasmo. Conta sua história com orgulho e diz que é a evangelização dos jovens que move sua luta. “Existem muitos deles que são jovens em idade, mas não têm um espírito jovem. Já não sou tão jovem, mas me sinto alegre e vivo”, diz. Missionário da Comunidade Católica Canção Nova há 22 anos, está à frente do programa de televisão PHN; é também o idealizador do Acampamento PHN, evento realizado anualmente em Cachoeira Paulista (SP). Além de ser a sede da Canção Nova, a cidade reúne cerca de 150 mil jovens vindos de todas as regiões do Brasil e de outros países. O acampamento conta com apresentações de músicas, teatro e dança; esportes radicais, além de pregações, oração e missas diárias. Este ano, será realizada a 13a edição do evento, entre os dias 5 e 7 de julho. “Eu me vejo em cada jovem que passa pelo PHN, pois, um dia, eu também fui um jovem que precisou de ajuda e que teve na experiência com Deus uma mudança radical de vida”.
Desde pequeno, Dunga aprendeu a lidar com as dificuldades. Filho caçula de cinco irmãos, ele nasceu em 1964, em uma fazenda chamada Coruputuba, na cidade de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba. Seus pais, Francisco dos Santos e Maria Benedita de Lima Santos, eram operários de uma fábrica de papel, onde trabalharam por 35 anos. A fazenda era praticamente uma pequena cidade, pois abrigava cerca de quinhentas famílias, e possuía cinema, padaria, campo de futebol, igreja e mercado. Todos se conheciam e tentavam conviver da melhor maneira possível.
Ainda garoto, demonstrou aptidão para a música e para a liderança natural. Certo dia, sua irmã mais velha deu-lhe um disco dos Beatles. O encantamento foi imediato, o que o levou a se aventurar como os artistas ingleses e se lançar no mundo da música: montou uma bateria de latas de tinta, microfones de cabos de vassoura e guitarras de madeira com cordas de arame. Transformou o poleiro em uma arquibancada e, em um pequeno palco improvisado, dava um show para o ávido público, composto pelos moradores da fazenda, que, satisfeitos, aplaudiam as estripulias do garoto sonhador. Certa vez, ele disse convicto para o pai que iria cantar na “terra dos Beatles”. O sonho de apresentar-se na Inglaterra foi ficando de lado, pois aos sete anos teve de abandonar o palco do poleiro, pois seus pais se aposentaram e foram viver no bairro vizinho, onde Dunga passou o restante da infância e adolescência.[/vc_column_text][vc_single_image image=”30516″ alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_column_text]“Foi uma infância feliz, cercado de cuidados pelos meus pais e companheirismo. Desde cedo me identifiquei com a música. Mas acabei seguindo outros caminhos”, revela. Aos catorze anos, ingressou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), onde se formou Mecânico de Manutenção. Começou a trabalhar na mesma fábrica em que os pais haviam trabalhado e a namorar Benedita Edineia Peixoto dos Santos, mais conhecida como Neia. Porém o namoro não deu certo, pois Dunga estava vivendo uma fase difícil de rebeldia e era usuário de drogas. “Vivi cinco anos fazendo uso do álcool, da maconha e da cocaína. Minha mãe me recebia em casa, bêbado, drogado e prostituído. Mas sempre me tratava com grande amor. Isso me deixava constrangido”. Quando era usuário e estava chegando ao estágio de dependente químico, Dunga teve uma forte experiência com Deus. Em uma terça-feira, de um mês que não se recorda, sob o efeito das drogas, saiu andando sem destino pelas ruas; então parou em frente a uma igreja e entrou. Um grupo enorme ouvia uma pregação, e ele se sentiu deslocado, mas resolveu continuar ali. Encostou-se contra a parede e fechou os olhos, absorveu as palavras do pregador, que eram sobre o amor sem limites de Deus. As músicas tocadas foram enternecendo seu coração. “Toda aquela droga que havia ingerido naquela noite, e que levaria algumas horas para cessar o efeito, foi desaparecendo, sumindo. E logo estava lúcido. Eu me senti tomado por Deus, senti que era um momento que mudaria toda a minha vida”.
No dia seguinte, ele acordou decidido a mudar suas atitudes, a restaurar o convício com seus pais e o ciclo de amigos. A manhã de quarta-feira revelou-se uma nova fase na vida do rapaz, que em alguns meses dava o testemunho de sua conversão em encontros de jovens. Nos dois anos seguintes foi conhecendo mais sobre a intercessão dos santos e entregou a São Francisco de Assis e a Santa Clara, sua castidade, que, até então, era vivida de forma desregrada. Foi quando reencontrou Neia, que ficou surpresa com a mudança. O amor e o perdão falaram mais alto e ela resolveu dar nova oportunidade ao jovem; na ocasião, ambos estavam com vinte anos. “Após dois anos e meio de namoro, casamos, sem praticamente nada, sem móveis, sem casa própria. Decidimos que construiríamos uma vida juntos, o que de fato aconteceu”.
Dunga, a pedido do chefe, voltou a estudar no Senai para fazer o curso de ferramentaria, depois foi aconselhado a estudar hidráulica, pneumática, caldeiraria e solda. Foram, ao todo, seis anos de estudos. O chefe de Dunga queria que ele assumisse um cargo que era destinado somente para alguém com formação acadêmica completa. Ele disse a Dunga que, se passasse em um teste, a vaga seria do rapaz. O resultado do processo seletivo foi satisfatório e Dunga alcançou a disputada vaga. A partir daí, o garoto que corria na fazenda e o adolescente rebelde deram passagem para um homem maduro e trabalhador. “Vivi doze anos de intenso trabalho na fábrica e tinha dois carros, moto, casa e boas condições financeiras. Era também coordenador de um grupo de oração com cerca de mil pessoas. Também fui pai de Felipe, meu primeiro filho. Tinha a vida totalmente estabilizada”.
No entanto, Dunga não contava com o forte chamado a uma vida missionária que se intensificou ao conhecer a Comunidade Canção Nova. Fundada por monsenhor Jonas Abib, tem o objetivo de evangelizar por meio dos meios de comunicação, como a televisão, o rádio e a internet. Um amigo perguntou a Dunga porque não morava na Canção Nova, já que era tão presente nos eventos da comunidade, no que ele respondeu em tom de brincadeira: “Ninguém ainda me convidou”. A conversa chegou até monsenhor Abib, que, de forma simples, porém decidida, fez o convite a Dunga, que se surpreendeu a ouvir sua voz dizendo que sim. Faltava agora a parte mais difícil, comuniar a Neia sua decisão. E as surpresas não pararam por aí, já que ela disse que estaria com o marido em qualquer lugar. “Deu-se início a um processo complicado, mas vivido com segurança e fé na vontade de Deus. Foram quatro meses de preparação. Deixei emprego, vendi bens materiais, destinei todo o dinheiro a meus pais. Também abri mão da liderança do grupo de oração”. Em 1991, Dunga entrou oficialmente na Comunidade Canção Nova e teve de se adaptar a nova realidade, já que os missionários vivem da providência e tudo é distribuído igualmente a todos. Foi assim que teve início uma trajetória que o levaria à idealização do movimento, que é internacionalmente conhecido como PHN.
Aos poucos, o missionário foi deixando aflorar sua liderança nata, iniciada no palco improvisado do galinheiro de uma fazenda, mas que, naquele momento, era posta em prática nos palcos de programas televisivos como cantor e apresentador. O PHN nasceu quando Dunga foi convidado, em 1998, a apresentar o programa de televisão chamado Resgate já, que tratava de assuntos relacionados aos serviços da Igreja Católica em presídios de segurança máxima, lares para idosos e crianças, casas de apoio às pessoas com doenças sexualmente transmissíveis, cadeias públicas e locais para recuperação de dependentes químicos. Ele vivenciou experiências inesquecíveis, acompanhou o sofrimento de dependentes químicos para se livrarem das drogas, viu muitos chegarem dispostos a buscar a cura e também presenciou partidas.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_message css=”.vc_custom_1578419163250{background-color: #ddc49b !important;}”]

“Depois de conviver com tantas situações que mostravam a fragilidade humana, Deus colocou forte em meu coração: ‘Ensine aos jovens dizerem não ao pecado’, para que eles não paguem, nos próprios corpos, aquilo que já havia sido pago na cruz”.

[/vc_message][vc_column_text]Com a convivência com frequentadores dos Alcoólicos Anônimos (AA), Dunga ouvia muito a frase “Só por hoje, só por hoje serei sóbrio”. Percebeu que a luta contra o pecado também é assim, um dia de cada vez. Na mesma época, monsenhor Abib pregava nacionalmente o tema: “Santo ou nada”. Esse era o contexto da vida de Dunga quando em um retiro escreveu a música Restauração, que contém a frase: “Por hoje não, por hoje eu não vou mais pecar”. Em um acampamento de oração, ele realizou a pregação: “Deus levanta uma juventude PHN”. Assim nasceu a proposta que, segundo o pregador, é fácil de entender, porém vivê-la exige coragem e renúncia. “Tenho o dia que se chama hoje. Vou me dedicar a ele, dar o melhor de mim, já que a cada que digo não ao pecado falo milhares de sins a Deus”, afirma.
Segundo Dunga, o remorso pelo que foi vivido e o sofrimento causado pela tentativa de prever o futuro leva as pessoas a não vivenciarem o dia de hoje. “Muitos vivem preocupados e quem se preocupa vive desocupado, porque não dá para se ocupar com algo que já passou ou algo que ainda virá”.
A proposta do PHN atravessou fronteiras e alcançou diferentes continentes. Apesar das diferentes origens, para o missionário, o clamor do homem é o mesmo, a busca pela felicidade é a mesma. Foram muitos países visitados nos quais o PHN marcou território, por exemplo, a Alemanha, os Estados Unidos, o Japão, a França, a Itália, Israel, o Paraguai e Portugal. O garoto que falou para o pai que um dia iria cantar na terra dos Beatles cumpriu sua promessa. Cantou em Londres, na Inglaterra, em um evento da PHN, não músicas da famosa banda, mas melodias que entoam a alegria de servir a Deus e de gratidão pela mudança operada em sua vida. E a geração PHN continua, tendo Dunga como líder, uma geração que assumiu o compromisso de viver um dia de cada vez.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][/vc_column][/vc_row]

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.