O “MISTÉRIO” DE NOSSOS TEMPLOS

Escrito por omensageiro_master

Esvaziamento

E gostávamos muito de estar nas igrejas.
Testamento de São Francisco

Ao longo das estradas e caminhos que percorremos há pequenas capelinhas, dedicadas ao Coração de Jesus, Nossa Senhora das Graças ou Santo Antônio de Pádua. Por vezes um cemitério ao lado, um pequeno jardim e o sino modesto para anunciar a missa de domingo: Ele vive e está no meio de nós . Antigamente as pessoas chegavam trajando a “roupa de domingo”.
Tantas igrejas nas cidades pequenas e grandes, nos centros barulhentos, nas periferias “sangrentas”. As igrejas e capelas deveriam sempre ser bonitas. Belas em sua simplicidade. Flores naturais: uma rosa num vaso solitário, um arranjo perto do sacrário e diante da Mesa da Palavra. Capelas de religiosas, quase sempre delicadas, serenas forçando aos que entram a fazer silêncio, a moderar as forças e a pressa dos passos. Se fizermos um pouco no silêncio, quem sabe o Mistério se vai revelar!
Catedrais góticas adornadas de esplendorosos vitrôs , cheias do som grandioso de organistas que louvam a Deus com seu dedilhar piedoso, sem vontade de homenagear o seu ego. Que dor quando as chamas devoraram Notre Dame de Paris. Claro, sabemos à saciedade que o Deus belo não limita sua Presença ao templo. Ele mora, de maneira especial, no coração do homem. Aos que o amam, ele chega e faz a sua morada. Se lamentamos com dor as chamas devorando a Catedral de Paris, choramos diante de tantos templos de Deus mortos tragicamente com esse vírus que veio destruir os nossos corpos. Isso não ignoramos. O ser humano é imagem de Deus.
Mas é certo que precisamos olhar com respeitoso carinho nosso templos de pedra. Uma lamparina vermelha anuncia a presença do Senhor. Ali veio montar sua tenda. “Nós vos adoramos, Santíssimo Senhor Jesus Cristo, aqui e em todas as vossas igrejas espalhadas pelo mundo inteiro e vos bendizemos porque pela vossa santa cruz remistes o mundo”.
Lá está uma mulher diante da cruz, da imensa cruz junto a uma parede. Reza, suplica, fecha dos olhos, olha a imagem, derrama uma lágrima. Silêncio. Ela está tendo um audiência com o Senhor. Silêncio.
Na pia batismal ouço ainda o celebrante a dizer: “Beatriz, tu nasceste de novo… tu fazes parte do Povo de Deus”. O grande momento do começo da vida em Deus acontece no templo. Tudo cercado de atenção, de piedade, de pessoas que deixam o Mistério nelas penetrar.
Antigas imagens, sei que eram de outros tempos…. Anjos em gesso ou madeira perto do altar ou pintados nas paredes em adoração durante a celebração da Eucaristia. “Eis o Mistério da Fé”.
Silencio antes da Missa como quem se enfeita para um evento importante. Postura cuidada do corpo, decoro nas vestes, piedade serena sem afetação, economia de explosões emotivas. Adélia Prado, poetisa que busca a Deus, disse mais ou menos o seguinte: Sabe do que eu preciso depois de certas missas? De rezar!” Passou-se uma e hora e mais sem que tivéssemos vivido o encontro com o Mistério. Temos que rezar. A missa não é um encontro qualquer.
Nos igrejas e capelinhas Francisco e seus irmãos se deixavam envolver pelos sinais da Eucaristia e da Cruz que aí encontravam!
“E gostávamos muito de estar nas igrejas”.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

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