Misericórdia

Escrito por omensageiro_master

“Sejam misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc 6,36)

A misericórdia é o amor como Deus ama. O amor puro, pleno, total, levado até às últimas consequências. O amor que tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Que ama por amor. Essa palavra possui dois sentidos:

a) Sentimento pelo qual a miséria do outro toca nosso coração. A misericórdia de Deus é manifestação de Seu amor para com as pessoas diante de suas misérias. É um aspecto do amor divino como muitos textos bíblicos expressam. No Novo Testamento, a misericórdia é bondade e compaixão. Deus pede-nos para exercê-la uns com os outros (cf. Mt 9,13; Lc 1,50-72; Ef 2,4 etc.).
b) É também um sentimento que nos leva a perdoar o culpado. É assim que Deus trata o pecador. Ele perdoa.

A misericórdia é a expressão do amor levado às últimas consequências. Ela exprime o apego instintivo de um ser a outro. Segundo o povo oriental, tal sentimento tem sua sede no seio materno. Nós dizemos, no coração. Misericórdia é a ternura transmitida em atos. Expressa a relação que une dois seres humanos e implica fidelidade. Isso significa que misericórdia não é simplesmente expressão de uma bondade natural, mas uma bondade consciente, intencional. É uma decisão livre de amar o outro apesar de… É uma questão de fidelidade a si mesmo. São expressões da misericórdia a ternura, a piedade, a compaixão, a clemência, a bondade e mesmo a graça. Na Bíblia, do princípio ao fim, Deus manifesta Sua ternura por ocasião da miséria humana. Por sua vez, o ser humano, feito à imagem e semelhança divina, é convidado a mostrar-se misericordioso para com seu próximo, seguindo o exemplo do próprio Deus.
A misericórdia não conhece limite a não ser o coração humano fechado e endurecido. Jesus é a personificação da misericórdia. Ele mostra Sua misericórdia sobretudo no amor pelos pobres, pelos pecadores que encontram n’Ele um amigo. No Evangelho, Jesus exige que os discípulos “sejam misericordiosos como o Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Essa é uma condição essencial para entrar no Reino de Deus (cf. Mt 5,7), para ser um discípulo d’Ele. Essa misericórdia deve ser como aquela do bom samaritano (cf. Lc 10,30-37), isto é, estar próximo do miserável que encontramos em nossos caminhos e plenos de piedade para com aqueles que nos ofendem (cf. Mt 18,23-35), porque Deus tem piedade de nós.
Seremos julgados pela misericórdia que tivermos praticado, talvez até inconscientemente, para com Jesus em pessoa. De fato, tudo o que tivermos feito aos outros é a Ele que temos feito. Seremos julgados pelo amor que vivemos (cf. Mt 25,31-46). O amor de Deus só permanece naqueles que exercem a misericórdia (cf. 1Jo 3,17). A misericórdia divina assume como sua nossa dor, nossos pecados, nossas dúvidas, nossa solidão, nossos medos, nossas fraquezas, nossas incertezas.
O amor que faz ampliar os braços e o coração aos miseráveis, aos pecadores arrependidos, aos abandonados, aos marcados pelas dificuldades da vida. Um amor que saber acolher o próximo desgarrado, seja amigo, seja irmão, seja desconhecido, e perdoa-lhe infinitas vezes. O amor que faz mais festa a um pecador que retorna do que a mil justos, oferecendo a Deus inteligência e bens, para que Ele possa manifestar a felicidade ao filho pródigo que retorna. Um amor que não mede e não será medido

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Pe. José Alem

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