“Fala, Senhor, sou todo ouvidos” Vocação, profissões e dons

Escrito por omensageiro_master

“Vem e segue-me” (Mt 9,9). Esse é um convite de Jesus Cristo para servi-Lo; é um chamado para servirmos a comunidade e todas as pessoas que dependem de nós, particularmente os pobres e os distantes da fé cristã. Este é o convite vocacional: descobrir o caminho da felicidade, para fazer o bem e ser feliz. A Igreja celebra neste tempo litúrgico as vocações mais elevadas: sacerdotal, religiosa, matrimonial e laical. São caminhos humanos para servir o povo de Deus. Agosto, particularmente, é um mês voltado para a análise da mensagem do Evangelho, em que devemos orar pelas vocações e ministérios, de modo que desperte novos horizontes no povo de Deus. Entre os meses temáticos, é o mês dedicado à reflexão e à oração pelas vocações.

 

Vocação dos santos

Inicialmente, lembramos que vocação se deriva do verbo latino vocare, que significa ‘chamar, convocar ou fazer apelo silencioso’. É um tema muito importante para a Igreja, porque a vocação é o início do caminho, para o qual Jesus convida as pessoas para segui-Lo e servi-Lo. É um convite misterioso e que está na origem de nossa vida. Isso significa que, antes mesmo de sabermos quem somos e para onde iremos, a vocação já está dentro de nós, está impressa em nossa alma. É um chamado divino que respeita nossa profunda liberdade. Deus concedeu a todos nós motivos suficientes para caminharmos diante de nossa escolha pessoal. Basta seguirmos, com total alegria Seu chamado. São Paulo, quando escreve aos cristãos de Roma, recorda-nos de que: “Eu, Paulo, servo de Jesus Cristo, apóstolo por vocação, escolhido para anunciar o Evangelho de Deus” (Rm 1,1).
Paulo é exemplo de um homem que ouve o chamado divino. Com sua vida voltada para o chamado de Cristo, fez várias viagens, evangelizando os povos de sua época. Até hoje, ficamos impressionados por seu imenso caminho, deixando em cada lugar uma comunidade. Ele ouviu a voz divina e correspondeu ao seu chamado. Nunca abandonava nenhuma comunidade; ao contrário, escrevia cartas para todas, orientando e visitando cada uma delas, até cumprir seu destino, no martírio em Roma. Viveu claramente sua vocação Mesmo na prisão, recebia inúmeras pessoas que sentiam necessidade de sua presença, para ser presença em tempos de perseguição aos cristãos. Viveu sua vocação, pois foi atento e fiel ao chamado de Deus.
Paulo, sem dúvida, é o apóstolo que o Senhor escolheu para evangelizar. Ele aceita sua missão e tornou-se o maior evangelizador do cristianismo dos primeiros tempos. Também é o exemplo do vocacionado que abandona tudo, depois de entender e acreditar no Cristo e viver seus ensinamentos. Para compreender e aprofundar sua vocação, estudou por diversos anos. A vocação exige silêncio, opção e dedicação; pois foi assim que Paulo se tornou o maior evangelizador de todos os tempos.

Entre as vocações, as profissões

Muitas vezes, os jovens confundem vocação com profissão. Enquanto a vocação é um estado de vida, em que fazemos uma opção fundamental como viver, a profissão é a forma de exercer alguma atividade de transformação da natureza e serviço à comunidade. Vocação é uma opção para viver; profissão é uma escolha para sobreviver. Assim, entendemos por profissão um trabalho realizado dentro da comunidade, exercida por um profissional. Entre tantas profissões, citamos os médicos, os advogados, os engenheiros, os cozinheiros, os técnicos, os professores, os administradores. Algumas profissões requerem apenas habilidades práticas. Outras requerem conhecimentos intelectuais, mas sempre estão interligadas ao serviço para os irmãos. A profissão está ainda relacionada com a sobrevivência de cada indivíduo.
Como cristãos, acreditamos que Deus concedeu aos indivíduos uma forma de se sustentar. Para seu sustento, o ser humano necessita de uma profissão. Cada um deve encontrar em seu caminho suas habilidades intelectuais ou práticas para exercer seu trabalho. Profissão é também uma graça divina, porém não envolve o envolvimento pleno da pessoa, mas apenas suas habilidades operacionais, da própria inteligência.

Dons e graças divinas

Quando falamos em dons, pensamos nas graças do Espírito Santo. Em verdade, esses dons são bênçãos que nos são presenteadas pelo próprio Deus. Os dons espirituais são aqueles que tocam o espírito humano, como a gentileza, a bondade, a prudência, a fortaleza e tantos outros que iluminam o espírito humano. Mas também são habilidades que servem para a comunidade. Assim, distinguimos os dons espirituais como as chamados aptidões pessoais voltadas para as artes e para a criação de beleza, como a música, a arquitetura, a pintura, entre outras. Entendemos que a graça divina atua sempre em nosso coração, de modo que estamos sempre recebendo as bênçãos e benefícios do Senhor. Todos os dons que recebemos vêm de Deus, como um presente gratuito para realizarmos o bem.
No sentido espiritual, encontramos dons para todos os fiéis. Voltamos ao Pentecostes, e testemunhos que “todos ficaram repletos do Espírito Santo” (At 2,4). Por isso, o cristão assimila o conhecimento das coisas maravilhosas e em nome de Deus, anuncia Jesus Cristo. Os dons são presentes não para si mesmo, mas para servir os irmãos.
Deus incentiva todos os seres humanos para que apurem mais e mais seus dons. Deste modo, quando recebem dons particulares, as pessoas devem desenvolvê-los com técnicas e dedicação para crescer. Os dons estão na base dos grandes talentos e servem para embelezar a vida. Eles estão na origem dos grandes artistas e servidores das artes humanas. Por isso, sempre repetimos que os dons são bens divinos na vida dos seres humanos. Como repetia o grande escritor russo Fiodor Dostoievski (1821-1881): “Somente a beleza salvará o mundo”.
Que a beleza dos dons humanos reflita a grandeza do Criador. Todos nós temos dons espirituais e humanos, que Deus oferece gratuitamente. É preciso apenas aperfeiçoar cada um deles em função da vida que levamos e, desse modo, servir os nossos irmãos. Dom é graça divina e graça é para partilhar.

Habilidades humanas para o bem comum

Quando nos questionamos sobre o que é habilidade, a resposta está no senso comum, mas também nos verbetes dos dicionários. Habilidade é um substantivo, quer dizer, um conceito que tem conteúdo particular e bem definido. Falamos da qualidade de realizar atividades em favor dos irmãos, sempre em função do bem comum. A habilidade revela a capacidade de realizar atividades para transformar a natureza; como a habilidade de fazer um motor funcionar ou mesmo fazer um projeto social ou arquitetônico. Podemos progredir na reflexão, entendendo que habilidade é mais que uma simples definição.
Pela filologia, aprendemos que a habilidade está associada com a aptidão que o ser humano possui para fazer um trabalho específico e com fins de resultado perfeito. Unir elementos da natureza para produzir novos bens nas técnicas e nas ciências. Alguns sinônimos nos ajudam a compreender melhor o significado de habilidade, gerando um universo de habilidades, por exemplo, capacidade, talento, inteligência e agilidade. São atividades da mente humana que atuam sobre a natureza para transformar e produzir mais e mais benefícios para a sociedade.
Não nos esqueçamos de que a habilidade serve à profissão e esta serve à vocação. Nem por isso, falamos de algo simples, pois são atividades muito complexas e exigentes. Todas as pessoas têm habilidades e com elas garantem sua sobrevivência e servem à sua própria presença na sociedade. Uma afirmação tão peculiar nos faz compreender o significado de habilidade. Anotamos: “O filme foi tão difícil de ser feito, que foram necessárias todas as habilidades da direção para fazer os efeitos especiais”. Habilidades são capacidades específicas que nos permitem atuar para fazer a diferença. As várias habilidades permitem a perfeição da obra. Elas se unem na construção de um edifício, na fabricação de um produto eletrônico, e assim por diante.
Para compreender melhor essa dádiva da natureza humana, recordamos que a habilidade é também cognitiva. A habilidade ativa os mecanismos do cérebro. Vamos entender esse bem da inteligência humana. Faz parte de nossa vocação, pois tais habilidades servem na realização de nossos projetos mais secretos. Para amar, é preciso servir e, para servir, é preciso entregar seus dons. Para ofertar os próprios dons, é preciso conhecer e transformar.
Ao falarmos de habilidades cognitivas, elencamos as informações que são devidamente entendidas, assimiladas e compreendidas para o desenvolvimento mental do ser humano. As habilidades cognitivas estão relacionadas ao processamento de aprendizagem e de memorização de informações. É um espaço da iluminação do ser humano para viver a própria humanidade, que é o fim último de todas as vocações humanas.
As habilidades são bens da inteligência humana que se relacionam com o nosso corpo, para servirmos os irmãos e sobrevivermos com dignidade. Recordamos algumas habilidades, que distinguimos de vocação e mesmo de profissão. Primeiramente, destacamos a habilidade motora, que significa os movimentos realizados com exatidão. Ela faz os grandes atletas e grandes dançarinos. Tal dádiva divina em nossa vida traz equilíbrio e estabilidade, dando-nos o caminho da perfeição.
Em seguida, recordamos a habilidade profissional, que permite ao indivíduo conseguir um sucesso pessoal dentro da sua formação, quando demonstra capacidade maior do que os concorrentes. Finalmente elencamos a habilidade social, que é a maneira para integrar-se na sociedade com outras pessoas inseridas no mesmo grupo e com as mesmas características de interesses pessoais. A capacidade de comunicação e a empatia são algumas habilidades sociais de elevada importância.
Se estamos apreciando as vocações humanas, devemos compreender esses bens que Deus imprime no ser humano, seja em sua inteligência, seja em seu espírito, seja em seu corpo, seja em sua alma. São todos bens que Deus nos entrega gratuitamente. Desse modo, habilidade e competência são a junção de talento e habilidade. Podemos exercer a profissão com talento e usar os talentos para realizar a profissão e viver as profissões dentro das próprias vocações. Assim, como temos toda esta estrutura dentro da sociedade, veremos a seguir como precisamos tê-la dentro das vocações da Igreja.

Vocações cristãs na Igreja

Vocação é o modo de viver de cada ser humano. Viver a vocação significa optar fundamentalmente não o que fará durante a vida, mas o que será para sempre. A vocação de ser pai, de casar, de ser padre, de ser religioso(a). Falamos do modo de viver para sempre. Tocamos não a existência, mas a essência da vida humana. Uma pessoa está professor(a), isto é profissão. Uma pessoa é padre ou pai; isso é vocação.

Vocação humana, chamado à vida

Deus deu-nos a vida, para entendermos a vocação, temos que entender que este foi o maior dom que recebemos de Deus. Se a recebemos gratuitamente como um presente divino, temos o dever de fazer da vocação à vida uma continuidade de sua vontade. Bem-aventurados o que são chamados diretamente por Deus para servi-Lo, pois a vocação é justamente o serviço a Deus. Todo ser humano é chamado para servir o Reino de Deus. Todos devem obedecer a esse chamamento, por meio do cumprimento de sua missão no mundo. Mais ainda especial é ajudar as pessoas através da caridade, da misericórdia e do amor ao próximo.
Acreditamos que Deus nos deu um campo repleto de felicidade. Entendemos que esse campo é nossa missão, simbolicamente as nossas rosas cultivadas que indiretamente farão embelezar o mundo se soubermos plantá-las e cultivá-las.
Cabe a nós vivermos felizes e promovermos aqueles que estão ao nosso lado, ou ainda mais, dentro das nossas comunidades, dos nossos lares, campos de trabalho e lazer. Essa é a difícil luta diária. Um caminho árduo, mas repleto de coisas bonitas, que deixam o Senhor feliz, pois transforma o mundo. Estamos fazendo apenas nossa parte neste campo que nos foi entregue para cultivar: o mundo onde vivemos. Nessa mesma metáfora, entendemos que, se arruinarmos a plantação, não teremos colheita. Quer dizer que, se não cuidarmos de nossa família, acabamos sozinhos, na solidão. A graça do Senhor entregou o mundo nas mãos; para tanto temos que fazer da vida, um verdadeiro hino de amor e louvor.
A vocação humana é a gratidão. Não podemos deixar de agradecer a Deus por esse presente. Caminhando nas estradas da própria existência, contemplamos o mundo e louvamos a Deus. Com olhar de gratidão, olhamos as estrelas e bebemos água da fonte mais cristalina do mundo. Esse é o sentido mais evidente da graça divina. O mundo é o sacramento de Deus e nós O contemplamos apreciando as coisas do mundo. A verdadeira vocação à vida é assim: olhar a criança e saber que hoje é nosso filho, amanhã nosso neto e que somos todos irmãos. Um desconhecido se faz amigo e somos todos parceiros na história da humanidade.
Deus nos deu tempo e a inteligência e o espírito. Sejamos sensatos e agradecidos. Louvemos sempre a imensidão do universo, que é obra divina. Muitos irmãos não têm a felicidade de descobrir essa grandeza do mundo. Só quem reconhece a grandiosidade do Universo pode contemplar e louvar a grandeza de seu Criador. Este é, além de tudo, a vocação do cristão: reconhecer que Deus criou o mundo e, quando este se perdeu, veio salvá-Lo pela encarnação de Jesus Cristo. A vocação é um chamado de Cristo para restaurar o Universo.

Vocação matrimonial, a edificação de um lar

Sempre entendemos que todos os seres humanos possuem uma vocação. É um convite especial para a felicidade, para a realização. A vocação dá sentido à vida. Deus envia para todos a felicidade, o amor e a santidade. Se pensarmos que temos tudo isso, já seria maravilhoso. No entanto, temos de ficar atentos, pois não podemos lutar contra os ensinamentos do Senhor. Sempre, desde o princípio Deus se preocupou com a felicidade de seus filhos e com a harmonia da criação. Ele criou uma companheira para Adão, que se sentia sozinho. “Não é bom que o homem esteja só. Vou fazer uma auxiliar que lhe corresponda” (Gn 2,18). E Deus os fez homem e mulher e em seguida os abençoou (cf. Gn 1,26-28). Foi o início do sacramento matrimonial.
Desse modo, a santidade do matrimônio é fundamental para o casal ser feliz, criar seus filhos numa atmosfera de amor, perdão e alegria. Quem não nasceu para a vocação religiosa encontra na vocação ao matrimônio tudo o que Deus planejou. É igualmente um caminho de santidade, de perfeição no cristianismo. Temos muitos e muitos santos no matrimônio.
O amor conjugal, bem como o amor pelos filhos e pela vida em comum, cresce e floresce. A família precisa participar dentro de sua comunidade servindo nas pastorais, os pobres, sendo voluntários em diversos serviços na sociedade. A vida somente tem sentido se houver ajuda mútua. Caso contrário, se for um processo egocêntrico, não gera felicidade, mas sim o caos.
Muitas famílias e muitas comunidades vivem o caos, pois não existe entrega e partilha; antes crescem a desunião e o egoísmo. Devemos pensar sempre naqueles que precisam de nós. Sabemos que auxiliar os outros é melhor do que ser ajudado. Isso nos faz bem. Por isso, temos de estar em consonância com Deus e agradecê-Lo pelo caminho que nos proporcionou. Este é o sentido da vida matrimonial: a dedicação de cada um para a felicidade de todos. No matrimônio, a realização não é a própria felicidade, mas a felicidade dos demais. E a própria felicidade vem da felicidade de todos os membros da família. Família é lugar de felicidade compartilhada.

Vocação religiosa, vidas em oblação total

Assim como os leigos são chamados para serem felizes e fazer parte do plano de Deus, com uma missão particular na Igreja, há a vocação religiosa, que contempla aqueles que se consagram pelos votos religiosos e recebem do Senhor um chamado particular, para fazer parte da Igreja e nela exercer um carisma especial.
A vida consagrada a Deus faz parte da missão evangélica, que expressa a vocação cristã, a santidade e a missão da Igreja, em uma opção mais radical pelo Reino de Deus. Esta missão profética, que compreende a castidade, a pobreza e a obediência, mostra o desligamento das coisas materiais e eleva o sentido espiritual do chamado de Deus. Os consagrados esquecem-se de si mesmos para centrar seus dons no serviço dos mais necessitados e da evangelização.
Os religiosos, portanto, entregam-se a Deus para cumprir os votos que vão torná-lo parte espiritual de Deus para servir as pessoas na Terra. Trata-se de uma consagração a Deus de forma especial, uma vez que renunciam à formação de um lar matrimonial, as riquezas e a própria vontade, para servirem ao projeto de Deus em suas vidas. São aqueles que partem em missão, que trabalham dias sem intervalos, sem receber salários, que vivem em comunidades para rezar e praticar a caridade. Podem ser contemplativos ou também voltados para a ação. São os monges e religiosos de clausura que vivem na prece e na mortificação, para unirem-se a Cristo de corpo e alma. Os religiosos mais modernos participam de projetos de caridade e justiça em favor dos mais empobrecidos, dos enfermos e dos abandonados. É um chamado radical para viver o Evangelho com a própria existência.

Leigos, servos do Reino de Deus

Entendemos por vocação laical (dos leigos) os fiéis batizados que se colocam a serviço do Evangelho, como os ministros da Eucaristia, as equipes de trabalho pastoral ou a catequese. Todos os que participam do múnus sacerdotal e profético de Jesus Cristo. Vivendo em suas famílias e servindo na sociedade, são convidados a participar da missão evangelizadora da Igreja. Participam e servem a Igreja nos vários ministérios
Esses cristãos estão mais próximos da vida da Igreja. São protagonistas da evangelização, formando uma espécie de linha de frente, que são conscientes da sua função de auxiliar a Igreja. Servem à Igreja em diferentes funções e participam da missão nas paróquias e nos movimentos que evangelizam os povos. Os leigos vocacionados vivem sua vida exercendo funções na vida cotidiana. Dessa maneira, semeiam o amor de Deus em todos os lugares e contribuem para o louvor do Criador e a santificação dos irmãos.
Com o Concílio Vaticano II (1962-1965), redescobriu-se a importância dos leigos na Igreja. Em seu Catecismo da Igreja Católica (CIC), aprendemos que “os fiéis leigos que disso forem capazes e que para tal se formarem, podem também prestar o seu concurso à formação catequética, ao ensino das ciências sagradas e aos meios de comunicação social” (n. 906).
Por essa razão, são chamados, ou melhor, são convocados para colaborar com os próprios pastores no serviço da comunidade eclesial. Não são assistentes dos pastores ou dos padres, mas participam com eles do crescimento da Igreja, servindo o próprio Cristo, como serviu Maria, a Mãe de Deus. “Os leigos também podem sentir-se ou serem chamados a colaborar com os pastores no serviço da comunidade eclesial, trabalhando pelo crescimento e vida da mesma, exercendo ministérios muito variados, segundo a graça e os carismas que ao Senhor aprouver comunicar-lhe” (CIC, n. 910).
Devemos valorizar os leigos e respeitar sua consciência e sua capacidade, uma vez que eles têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja. Devem, com reverência, defender a integridade da fé e dos costumes. Seu serviço eclesial é buscar o bem da Igreja e a dignidade dos fiéis. Os leigos são membros preciosos da Igreja e devem ser valorizados, pois são a extensão da comunidade nos ambientes seculares.
O papa Francisco (1936-) tem ressaltado enormemente a importância e a santidade dos leigos e mais ainda das mulheres que engrandecem a vida da Igreja. Basta ler sua mais recente exortação apostólica, Gaudete et Exsultate: sobre o chamado à santidade no mundo atual (2018). Nesse documento, o pontífice mostra que o caminho da santidade está acessível a todos os cristãos e a muitas figuras femininas, por exemplo, Santa Tereza D’Ávila (1515-1582), Santa Teresa de Lisieux (1873-1897), Santa Hildegarda Von Bingen (1098-1179). Entre tantas, elas abriram o caminho da santidade para as demais mulheres e foram sal e fermento em suas comunidades, em seus períodos históricos.
O leigo cristão é convidado a exercer seus dons e suas habilidades na vida pública. Até mesmo o pontífice disse, recentemente, que a política anda suja porque os cristãos se afastaram dela. Ele pede que os fiéis voltem a participar da vida pública e se integrar nos ambientes sociais e políticos para transformá-los para o bem e para a justiça.
São leigos verdadeiros e cristãos que lutam por um mundo mais justo. Em nome de Deus e nas linhas do Magnificat (“Depôs poderosos de seus tronos e a humildes exaltou” [Lc 1,52]) encontram inspiração para transformar a sociedade. Recentemente vimos o povo nas ruas do Brasil inteiro, de norte a sul, reclamando da corrupção, da imoralidade e da malversação do dinheiro público. Isso ocorre porque os cristãos leigos não querem fazer parte da política. Se quiserem ajudar o País, precisam lutar por melhores parlamentares, melhores senadores e melhores servidores no Judiciário. Que pena que tantos cristãos dão seu voto a pessoas corrompidas, envolvidas em propinas e egoístas, que não comungam com os valores cristãos! É dever dos leigos cristãos serem fermento na massa social, para resgatar o Brasil das mãos dos corrompidos do poder.

Vocacionados para amar e ser feliz

Deus deu-nos a felicidade. Ele nos ensina diariamente é o amor, que vem de Deus Pai para todos nós. Lutamos pelo amor na família e na Igreja e para a construção dos sonhos de todos os Seus filhos. A felicidade é Seu convite direto. Deus é a própria felicidade de cada família, de cada pessoa humana. Para tanto, enviou Seu filho unigênito, Jesus Cristo, a fim de nos ensinar sobre Seu Reino. Ele morreu na cruz pela salvação de todos nós. E ainda nos dá o dom, o talento, a habilidade, a vocação para o trabalho, para que possamos viver, ter um emprego, uma comunidade, um sonho realizado.
Descubra sua vocação para ser feliz, sua profissão para transformar a sociedade e seus dons para fazer maravilhas. Você é uma obra divina e deve fazer valer sua passagem pelo mundo. Deus chamou-o(a) e espera sua resposta. Não diga não a Seu chamado, pois Ele espera seu sim. Vamos rezar e agradecer por nossas vocações. Também vamos suplicar para que venham muitas vocações sacerdotais e religiosas com o objetivo de servir as comunidades. Que nossa vida seja digna de merecer as bênçãos de Deus.

Pe. Antônio Sagrado Bogaz
Prof. João Henrique Hansen

Edição de Julho/Agosto de 2018

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