A paz é fruto da superação do medo e da desconfiança

Escrito por omensageiro_master

[vc_row][vc_column][vc_column_text]Diante dos obstáculos e das provações, a paz é um caminho de esperança. É o que afirma o Papa Francisco em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2020, celebrado no dia 1º de janeiro, que tem como tema “A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. Segundo o papa, a esperança é a virtude que nos põe a caminho, que nos dá asas para seguir em frente, mesmo quando os entraves parecem insuperáveis.
Entre esses obstáculos, Francisco inclui as guerras e os conflitos sucessivos, com uma crescente capacidade destrutiva, que atingem especialmente os mais pobres e os mais frágeis. O papa denuncia ainda as correntes de exploração e corrupção, humilhação e exclusão, injustiça e opressão, desconfiança e medo que alimentam ódios e violências. Também recorda os homens e as mulheres, as crianças e os idosos aos quais ainda hoje se nega a dignidade, a integridade física, a liberdade, a esperança no futuro.
Os sinais disso se encontram marcados na memória e na própria carne da comunidade humana.

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“Toda guerra se revela como um fratricídio que destrói o próprio projeto de fraternidade, inscrito na vocação da família humana”, diz Francisco. “Sabemos que, muitas vezes, a guerra começa com a intolerância diante da diversidade do outro, o que fomenta o desejo de posse e a vontade de dominação.”

[/vc_message][vc_column_text]Diante desse cenário, Francisco pergunta: como construir um caminho de paz e reconhecimento mútuo? Como romper a lógica mórbida da ameaça e do medo? Como despedaçar a dinâmica de desconfiança atualmente predominante? Para o papa, uma resposta possível está em buscar uma fraternidade real, baseada na origem comum em Deus e vivida no diálogo e na confiança recíproca. E isso é possível mediante três expressões da paz: a escuta e o diálogo, a reconciliação e a conversão ecológica
Primeiro, Francisco apresenta a paz como um caminho de escuta e diálogo, baseado na memória. De acordo com o papa, a memória é garantia e estímulo para construir um futuro mais justo e fraterno. Ela deve ser preservada “não apenas para não cometer de novo os mesmos erros ou para que não sejam repropostos os esquemas ilusórios do passado, mas também para que a memória, fruto da experiência, constitua a raiz e sugira o trajeto para as escolhas de paz presentes e futuras”.
O processo de paz, continua Francisco, é também um esforço e um trabalho paciente, de busca da verdade e da justiça, que honra a memória das vítimas e que abre, passo a passo, a uma esperança comum, mais forte do que a vingança. “Em um Estado de direito, a democracia pode ser um paradigma significativo desse processo, se estiver baseada na justiça e no compromisso de salvaguardar os direitos de cada um, especialmente dos vulneráveis ou marginalizados, na busca contínua da verdade.” Ao contrário, a ruptura entre os membros de uma sociedade, o aumento das desigualdades sociais e a recusa de usar os instrumentos para um desenvolvimento humano integral põem em perigo a busca do bem comum.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_single_image image=”30492″ alignment=”center” style=”vc_box_shadow_border”][vc_column_text]A paz também é um caminho de reconciliação na comunhão fraterna. Trata-se de “abandonar o desejo de dominar os outros e aprender a olhar-se mutuamente como pessoas, como filhos de Deus, como irmãos”. Por isso, Francisco convida à “via do respeito”, a única que permite “romper a espiral da vingança e empreender o caminho da esperança”. E isso também vale para o campo político e econômico: “Nunca haverá paz verdadeira se não formos capazes de construir um sistema econômico mais justo”.
Por fim, o papa apresenta a paz como um caminho de conversão ecológica. Se um cristão abusa da natureza ou domina despoticamente sobre outro ser humano por meio da injustiça e da violência, ele se manifesta infiel ao tesouro de sabedoria que devia guardar, afirma Francisco. Pelo contrário, é preciso superar as consequências da hostilidade contra os outros, da falta de respeito pela casa comum e da exploração abusiva dos recursos naturais com vistas unicamente ao lucro, sem respeito pelas comunidades locais.
Francisco convida a um novo modo de habitar a casa comum, marcado pela convivência com as próprias diversidades, pela celebração e pelo respeito pela vida recebida e partilhada, pelo desenvolvimento do bem comum de toda a família humana. Essa conversão ecológica leva a um novo olhar sobre a vida, respondendo ao chamado do Criador à “alegre sobriedade da partilha”. Trata-se de uma conversão integral, ou seja, “uma transformação das relações que entretemos com as nossas irmãs e os nossos irmãos, com os outros seres vivos, com a criação na sua riquíssima variedade, com o Criador que é origem de toda a vida”. Para o cristão, continua Francisco, essa conversão leva a “deixar emergir todas as consequências do encontro com Jesus nas relações com o mundo”.
O convite do papa é a abraçar a “cultura do encontro entre irmãos e irmãs” e, assim, romper com a “cultura da ameaça”. Desse modo, cada encontro se torna uma possibilidade e um dom do amor generoso de Deus, levando-nos a “ultrapassar os limites dos nossos horizontes estreitos, buscando sempre viver a fraternidade universal, como filhos do único Pai celeste”.

 

Moisés Sbardelotto

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