A idade do coração

Escrito por omensageiro_master

“Crê em ti mesmo; o coração vibra sempre ao som desta corda.”
(Ralph Waldo Emerson, 1803-1882)

 

Publicado na edição de Maio/2015

Por motivos fisiológicos e mais ainda poéticos, mas, sobretudo, por razões existenciais, o coração é um órgão vital. É importante para a vida, para o amor, para a fé. Ele pulsa ao ritmo de nossa existência. Nele se ressente, mais que em outros órgãos, nossa alegria de existir, nosso prazer de viver.
O coração fala de nós e por nós. Mais que músculos, é emoção; mais que órgão, é sentido; mais que cavidade, é abertura; mais que movimento, é receptáculo; mais que vibração, é aspiração; mais que corpo, é alma. Por isso, é preciso cuidar bem dele e saber entendê-lo mais que tudo, pois “cada um tem a idade do seu coração, da sua experiência e da sua fé” (George Sand, 1804-1876).
Nascemos com a necessidade de aprender tudo na vida, sobretudo aprender a viver. No entanto, pode ser que ainda não aprendemos essa lição. Lançamo-nos na vida como quem já conhece o caminho e seus segredos como um experiente viajante que sabe por onde andar e como andar. Mas a arte mais necessária e mais difícil é aquela de saber viver. Enganamo-nos pensando que basta uma posição social privilegiada para aprender a arte da vida. Ou ainda podemos nos iludir supondo que bastam inteligência graduada ou mecanismos de defesa para fazer a vida valer a pena. Nossa existência é o que é, e nós somos o que somos. O encontro entre ambas as realidades favorece o confronto, a síntese, a descoberta, a experiência, o crescimento.
Pais e educadores deveriam ser, sobretudo, mestres de vida, homens que conhecem o coração e sabem entendê-lo. Seria o melhor contributo que poderiam dar aos filhos e alunos, o mais necessário valor a ser comunicado. Pois o coração representa a vida e tudo o que ela contém. Educar significa revelar o coração aos corações e lançar-se no infatigável e surpreendente caminho do amor.

Do coração, dependem todas as coisas, todos os ensinamentos e todos os aprendizados. Do coração e no coração, nascem os grandes desejos sufocados violentamente a cada instante por não se ouvir a voz do coração. Dentro do peito, ele é o símbolo mais adequado do valor e do sentido da vida. Toda crise vivida pelos seres humanos, todo conflito vivido pela humanidade significa uma crise do coração. Todos sofrem e morrem do coração. Por isso, ele é símbolo incontestável do amor, da paixão, do sentimento, da beleza, da alegria, da esperança. Nele, nascem e morrem todos os ideais.
É o coração que toma conta de nós, é nele que encontramos a força e a sabedoria, únicos dons necessários para viver. Estão enganados aqueles que reduzem o coração à fonte de sentimentalismos, confundindo os que têm coração com pessoas fracas e sentimentais.
Forte é quem tem coração, que o entende e o usa como a mais autêntica expressão da confiança e do respeito por si mesmo. Não é à toa que, nas mais variadas culturas, ocidentais e orientais, esse órgão é a fonte e, ao mesmo, tempo gruta em que nasce e se acumula a arte de bem viver.
Nossa sociedade, tanto hoje quanto sempre, precisa de uma só coisa: de coração. Para resolver problemas políticos, sociais, educativos, morais, religiosos de todas as espécies, enfim, é preciso coração. Coração aberto faz mãos abrirem,
abrirem-se os ouvidos, alargarem os passos no caminho, abrirem os olhos, abrir a alma, abrir o próprio ser.
Quem duvida disso que experimente e aprenda da experiência d’Aquele que foi para todo o sempre um coração manso e humilde capaz de dar a vida por amor. Em Seu coração, o mundo pode reencontrar o caminho, a vida. Encontrar seu coração. Jesus, que amou e ama como só Deus pode amar, ensina-nos: “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas” (cf. Mt 11,29); além disso, Ele também nos orienta: “Onde está o vosso tesouro aí está o vosso coração” (Lc 12,34).

Pe. José Alem

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