O Menino Jesus, no presépio com São Francisco e nos braços de Santo Antônio

dez 5, 2023Assinante, Caminhando Hoje com Sto. Antônio, Dezembro 2023, Revistas0 Comentários

Neste mês de dezembro, vem-nos à mente cristã o Santo Natal de Jesus em Belém, na Judeia. São Francisco de Assis (1182-1226), por sua sensibilidade própria, foi sempre devotado à meditação da bondade humana de Deus manifestada no presépio. Ele deixou escrito no Ofício da Paixão, nas Vésperas, a seguinte frase: “Porque um santíssimo menino amado nos foi dado, e nasceu por nós (cf. Is 9,6) no caminho e foi posto num presépio, porque não tinha lugar na pousada (cf. Lc 2,7)”1. Jesus Menino pobre, nascido à beira do caminho, encantava-o. E, podemos dizer, isso o levou a criar o presépio como memória viva e visível, eternizando-o, por assim dizer, nos presépios do mundo inteiro.

Tal fato ocorreu na pequena cidade de Greccio, na Itália central, localizada sobre os montes. E ali se deu o primeiro presépio franciscano, narrado por frei Tomás de Celano (1200-1260), em sua primeira biografia.2 João Velita, proprietário daquelas terras e amigo de frei Francisco, prontificou-se para preparar tudo o que o frade lhe pedia, convidando todo o povo a participar da celebração. Chegou a noite de Natal de 1223. A ocasião estava particularmente iluminada, pela fé do povo simples, pelas velas, pelos círios, pelos archotes de amor que invadiam os corações e transmitiam a sensação nova, suave e forte de fraternidade, por causa de uma criança que, naquela noite, tinha-se feito irmã universal.

São Francisco e o presépio de Greccio, Messaggero di Sant'Antonio

São Francisco e o presépio de Greccio, Messaggero di Sant’Antonio

Aos poucos, a procissão subiu o morro. Nesse movimento, a multidão assemelhava-se a um rio de luzes que iluminava o caminho. Cantos ecoavam pelo monte e pelo bosque. Ao chegarem diante da gruta iluminada, lindamente adornada, as pessoas foram, aos poucos, formando o presépio vivo de Greccio, que se tornara uma nova Belém. Colocaram a manjedoura, prepararam o feno e fizeram entrar o boi e o burrico. Todo o povo cantava, fazendo ecoar as vozes no céu estrelado. A noite não conseguia ocultar a alegria dos corações. Frei Francisco sentia-se especialmente feliz, imensamente feliz.

Chegou o sacerdote para celebrar a Eucaristia na gruta. O Poverello vestiu os paramentos diaconais e cantou o Evangelho com voz firme e suave, saboreando cada palavra divina. As cerimônias prosseguiram por muito tempo, mas ninguém percebeu as horas passarem. Ao contrário: cada um levou para a própria casa a sensação de ter vivido na terra momentos do céu! Velita, o mais entusiasta de todos, dizia em alta voz: “Eu vi, eu vi. Quando frei
Francisco tomou em suas mãos a imagem do Menino Jesus, Ele abriu os olhos e sorria, sorria para todos!”

Enquanto o povo beijava a linda imagem do Menino Jesus, dirigindo-se depois para casa, os frades cantavam e os montes ecoavam: “Foi-nos dado um menino santíssimo e dileto que nasceu à beira do caminho por nós e posto no presépio. Glória ao Senhor Deus nas alturas e paz na Terra aos homens de boa vontade”.2

Anos depois, em 1231, Santo Antônio de Lisboa e Pádua (1195-1231), seguidor inspirado de São Francisco de Assis, também teve uma experiência mística com o divino Menino Jesus. Por esse motivo, suas imagens sempre o representam com o Menino Jesus nos braços, o Evangelho e o lírio, além de pães distribuindo aos pobres.

Com relação a Santo Antônio, precisamos nos ater ao Liber Miraculorum Sancte Fidis [Livro dos Milagres], escrito por frei Arnaldo Serrano entre 1369 e 1374, para completar a Vida Primeira ou Assídua (Messagero, 1997), escrita originalmente em 1232 para a ocasião da canonização do santo paduano.
Segue o trecho traduzido em português do original latino:
“Encontrando-se uma vez numa cidade para a pregação, o bem-aventurado Antônio hospedou-se em uma casa de um habitante do lugar. Este lhe reservou um lugar apartado para que pudesse dedicar-se com tranquilidade ao estudo e à contemplação. E, enquanto ele rezava, sozinho, no quarto, o hospedeiro continuamente ia e vinha pelo corredor dos quartos. Enquanto observava com solicitude e devoção o quarto em que Santo Antônio orava sozinho, olhando furtivamente às escondidas através de uma janelinha, ele viu aparecer entre os braços do bem-aventurado Antônio uma criança lindíssima e alegre. O santo a abraçava e a beijava contemplando-lhe o rosto com carinho incessante. Aquele cidadão, admirado e extasiado pela beleza daquela criança, pensava consigo mesmo de onde poderia ter vindo um menino tão lindo”.

São Francisco de Assis,
rogai por nós e por nosso Natal!
Santo Antônio do divino
Menino Jesus, rogai por nós!

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Notas

1 Disponível em: http://centrofranciscano.capuchinhossp.org.br/index.php?option=com_fontes&view=
leitura&id=225&parent_id=62. Acesso em: nov. 2023.
2 Cf. FASSINI, Dorvalino Francisco (coord.). Fontes franciscanas. 2. ed. Santo André: O Mensageiro de Santo Antônio, 2020. p. 241-243.
3 Ibidem, p. 156.

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