Mais do que uma campanha, o Setembro Amarelo é um convite à empatia, ao diálogo e ao compromisso coletivo com a saúde mental.
O Setembro Amarelo surgiu com o objetivo de promover a conscientização das pessoas sobre a prevenção do suicídio e a importância de buscar ajuda quando necessário. O movimento teve início em 1994, nos Estados Unidos, depois que o jovem Mike Emme, de dezessete anos, tirou a própria vida. Anteriormente, ele havia restaurado um Ford Mustang® 1968, pintando-o de amarelo. No velório de Emme, parentes e amigos distribuíram bilhetes decorados com fitas amarelas (da mesma cor do Mustang® restaurado) dentro de uma cesta, com a seguinte mensagem: “Se você precisar, peça ajuda”. Daí nasceu a campanha Yellow Ribbon (‘Fita Amarela’, em tradução livre).
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é celebrado anualmente em 10 de setembro. Essa data foi criada pela Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio (International Association for Suicide Prevention [IASP]) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2003, com o objetivo de intensificar a conscientização sobre a prevenção do suicídio em todo o mundo.
Em 2021, a OMS registrou aproximadamente 727 mil mortes por suicídio em todo o mundo, sendo a terceira principal causa de óbitos entre pessoas de quinze a 29 anos. Países de baixa e média rendas concentram 73% dos casos globais. Segundo a entidade, a depressão e a ansiedade são condições prevalentes que afetam milhões de pessoas, de todas as faixas etárias e classes sociais, de vários países.
O Setembro Amarelo chegou ao Brasil em 2015, por iniciativa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em colaboração com o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Centro de Valorização da Vida (CVV). Desde 2014, a campanha é organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina.
Entre 1997 e 2016, foram registrados no País 14.852 óbitos por suicídio entre adolescentes, perfazendo uma taxa média de 2,14 mortes por 100 mil habitantes. Contudo, esses números ocultam variações regionais significativas, com algumas áreas apresentando taxas consideravelmente mais altas.
Além disso, o Brasil lidera globalmente em prevalência de transtornos de ansiedade, afetando mais de 18 milhões de habitantes (9,3% da população). Cerca de 10% da população sofre de depressão, com taxas mais elevadas entre mulheres e idosos. Entre jovens de dezoito a 24 anos, o percentual chega a 31,6%. Mais da metade das pessoas com ansiedade nunca buscou ajuda profissional para tratar essa condição.
A prevenção do suicídio engloba uma abordagem integrada que combina estratégias psicológicas, suporte emocional e intervenções de saúde mental. No Brasil, o CVV oferece apoio emocional e prevenção do suicídio de forma gratuita e sigilosa; atua em nível nacional, proporcionando um espaço seguro para as pessoas desabafarem sem prejulgamentos. O psicólogo clínico americano Edwin Shneidman (1918-2009), considerado o “pai da suicidologia”, afirmava que: “O suicídio é um drama da mente […] quase sempre relacionado com a dor psicológica, a dor das emoções negativas”. Ou seja, quando nos permitimos extravasá-la, a dor transforma-se; ao passo que, se não for abordada e tratada adequadamente, ela pode perdurar.
Lembramos que a fé e a espiritualidade são fatores importantes na prevenção do suicídio, oferecendo consolo e esperança em momentos delicados. Esse deve ser um esforço coletivo, que envolve tanto a saúde mental quanto a espiritualidade. Em um mundo caracterizado por desafios emocionais, a conscientização passa, principalmente, pela escuta atenta, pelo cuidado, pela empatia e pela solidariedade.
Principais medidas de prevenção do suicídio
• Acompanhamento psiquiátrico e psicológico contínuo: isso reduz a impulsividade e melhora a regulação emocional.
• Monitoramento de sinais de risco: mudanças de humor, comentários sobre autolesão, isolamento ou perda de interesse pelas atividades.
• Suporte familiar e social: diálogo aberto, ambiente acolhedor e atenção aos sinais de alerta.
• Terapias específicas: Terapia Dialética Comportamental (TDC) e Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
Ações de educação e conscientização
• Capacitação de profissionais de saúde, educadores e líderes comunitários.
• Expansão de serviços de saúde mental, como Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
• Programas escolares e comunitários para identificar sinais de alerta e reduzir o estigma.
Onde buscar ajuda
Centro de Atenção Psicossocial
(CAPS): para localizar o CAPS mais próximo, a orientação é procurar a Secretaria de Saúde do município ou informar-se na Unidade Básica de Saúde (UBS) de sua região.
Centro de Valorização à Vida (CVV): fundado em 1962, em São Paulo, é um serviço voluntário gratuito de apoio emocional e prevenção do suicídio para todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo e anonimato.
Telefone: 188
Instagram®: https://www.instagram.com/cvvoficial/
Site: cvv.org.br
Serviço de Atendimento Móvel de Emergência (Samu):
serviço gratuito acionado em casos de urgência e emergência, que funciona 24 horas, a partir de ligações telefônicas. Os técnicos de atendimento telefônico identificam a ocorrência e coletam as primeiras informações sobre as vítimas e sua localização. Em seguida, as chamadas são transferidas ao médico regulador, que orienta o socorro e aciona as ambulâncias, quando necessário.
Telefone: 192 (atendimento de emergência)
Origem do Setembro Amarelo
O Setembro Amarelo teve início em 1994, nos Estados Unidos, quando surgiu o grupo Yellow Ribbon (‘Fita Amarela’, em tradução livre), inspirado na história de Mike Emme, um jovem de dezessete anos que cometeu suicídio.
Ele adorava Mustangs®, em especial um modelo de 1968, que comprou e restaurou, pintando-o de amarelo. Além do fascínio por automóveis, ele sempre ajudava os amigos com suas habilidades mecânicas; por isso, ficou conhecido como “Mustang Mike”.
Entretanto, apesar de ser divertido, amoroso e empático, nem seus familiares nem seus amigos perceberam que o jovem enfrentava problemas psicológicos. Em 8 setembro de 1994, ao chegarem em casa, seus pais se depararam com o corpo dele dentro do Mustang®.
No sepultamento, parentes e amigos levaram uma cesta: nela, havia centenas de bilhetes, e em cada um deles havia uma fita amarela pendurada, em homenagem à memória de Mike e seu carro amarelo. Nos papéis, estava escrita uma frase simples: “Se você precisar, peça ajuda”.
Ao final da cerimônia, todos os bilhetes haviam sido entregues. Para a surpresa dos pais de Emme, dias depois, eles começaram a receber telefonemas e cartas de pessoas de vários lugares dos Estados Unidos, pedindo apoio e confessando seus problemas e medos. Foi quando surgiu a ideia da organização Yellow Ribbon, uma entidade sem fins lucrativos que promove a conscientização de transtornos mentais que ainda são tratados como tabu. Essa iniciativa foi tão bem-sucedida que, a partir de então, jovens com pensamentos suicidas passaram a utilizar cartões amarelos como forma de pedir ajuda.
O destino do Mustang® amarelo original de Mike Emme não é conhecido, mas o veículo continuou a ser um símbolo importante para a família e para o movimento de prevenção do suicídio.
Notas
• https://hospitalsantamonica.com.br/setembro-amarelo-jovens-de-15-a-29-anos-e-o-desafio-do-suicidio-no-brasil/. Acesso em: jul. 2026.
• https://saude.mpu.mp.br/servicos/publicacoes/arquivos/CARTILHA_Setembro_Amarelo_MPF.pdf/view. Acesso em: jul. 2026.

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