Muitas vezes, o chamado à santidade foi compreendido, na sensibilidade comum dos católicos, como um privilégio concedido a poucos, como se fosse algo distante. Muitas hagiografias qualificavam os santos como tão perfeitos que nenhum de nós, reles mortais, nos consideraríamos próximo a algo que seria somente para alguns “privilegiados”.
No entanto, a santidade é um chamado a todo cristão! Todos nós, batizados, somos vocacionados à santidade! “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pd 1,15). O adjetivo santo significa ‘separado’. Deus é santo no sentido de que é separado de toda a criação. Ele é único. Sua santidade é Sua própria vida para além de tudo o que é criado, mas, sendo santo, Deus cria e sustenta toda a criação.
Ao chamar-nos à santidade, Deus convida-nos a compartilhar Sua própria vida, a estar em comunhão com Ele no amor. Esse amor nos humaniza, de modo que podemos dizer que buscar a santidade é procurar ser mais humanos, tal como Jesus foi profundamente humano! São Francisco de Assis irradiou essa santidade, buscando ser profundamente humano sem querer se sobrepor aos demais!
Também Santo Antônio de Lisboa e Pádua cresceu na santidade, apesar dos desafios e das dificuldades em sua trajetória. Encarou frustrações, tempo de espera, e certamente soube colocar-se nas mãos de Deus, procurando bem-viver cada momento, mesmo nas contradições, nas pequenas coisas e nas oportunidades que encontrou. A santidade constrói-se na acolhida do cotidiano bem aproveitado, na disponibilidade de servir, no ato de amparar, na atitude de perdoar, entre outros momentos.
Com o passar do tempo, o cristianismo desenvolveu-se não somente na forma de celebrar, como temos acompanhado na seção Momento Litúrgico, mas também em inúmeras obras de caridade. Certamente, foi o chamado à santidade que motivou tantos cristãos no serviço da caridade aos mais pobres e sofredores. Diversas obras caritativas, ao longo dos séculos e ainda hoje, são inspiradas no Evangelho!
Na coluna Igreja e Sociedade, podemos ponderar sobre essa dimensão social do Evangelho no cuidado com os enfermos e com a saúde. Assim como na Reportagem desta edição, somos convidados a refletir também sobre a importância da espiritualidade no processo de tratamento das enfermidades.
Atualmente, o desafio da santidade perpassa novas realidades próprias de nosso tempo, como as do “mundo virtual” das redes sociais e dos desafios da Inteligência Artificial (IA), temas da primeira Encíclica do papa Leão XIV, Magnifica Humanitas, sobre a qual somos convidados a refletir na seção Theoblog.
Que São Francisco e Santo Antônio intercedam por nós, inspirando-nos a buscar a santidade como caminho de humanidade, de paz e bem!
Uma excelente leitura a todos!

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