“Honra teu pai e tua mãe para que vivas longa vida na terra que o Senhor, o teu Deus, te dará” (Êxodo 20,12)
Viver é um grande mistério e um desafio permanente. Em todo o mistério da vida está o mistério da família. Conhecer o que é a família, segundo o plano de Deus, assim como é entendida pela Igreja, fará ultrapassar os limites de nosso conhecimento ou impressões e opiniões.
Para o ser humano viver é conviver. Estamos em contínua relação com as pessoas, com a natureza, conosco mesmos.
E na família, quando bem entendida, temos a “escola da convivência”, na qual vamos aprendendo a arte de viver e amar.
Conviver é um desafio, pois temos que ir aprendendo e crescendo nessa experiência e adquirindo maturidade que nos faz ter um olhar mais profundo para dar respostas mais coerentes.
Na convivência da família, vamos construindo a nossa história e a nossa personalidade. Essa experiência é que molda nossa mente e nosso coração com ideias, sentimentos e atitudes que serão expressas ao longo da vida.
Se conviver é um desafio também na família, temos que aprender a conhecer e respeitar o mistério de cada pessoa. Hoje o sentido da família está ameaçado por muitos lados, pela decadência dos valores humanos genuínos, pelo materialismo teórico e prático, pela mentalidade hedonista favorecida pelo consumismo. Desse modo, muitos contemporâneos chegam a pensar se tem sentido ou importância a família no mundo de hoje. Sociólogos, educadores, políticos e as pessoas em geral, com suas ideias, podem até emitir sua própria opinião, mas isso não muda a verdade sobre o mistério da vida, do amor, da família. A nós cristãos, interessa-nos, sobretudo saber o que Deus pensa da família, qual o lugar que Ele lhe reserva.
Quando Deus criou o gênero humano, plasmou uma família à sua imagem e semelhança; quando o Verbo de Deus veio à terra, nasceu numa família. Jesus dedicou Sua vida e missão para resgatar o sentido da família e para que nós vivêssemos em família.
Deus ama tanto a família que a concebeu como célula fundamental para produção e reprodução da vida, imprimindo nela a sua própria imagem. A família reflete a vida de Deus, que é família: a Santíssima Trindade. E isso é suficiente para explicar o que é a família para Deus.
O ressentimento, a mágoa, a raiva, ou qualquer outra expressão de sentimentos que podemos experimentar, se não forem superados, irão afetar toda a nossa convivência em todos os ambientes e das mais variadas formas
Deus, que é amor, projetou a família como fonte de amor: amor conjugal entre o casal, amor materno e paterno pelos filhos, amor filial pelos pais. Amor dos avós pelos netos, dos netos pelos avós, dos sobrinhos pelos tios e vice-versa. Portanto, a família é um tesouro, uma pérola, um mistério de amor. Foi assim que Deus a planejou e a criou. E seu Filho, ao redimir ao mundo, sublimou o amor natural, de que os membros da família estão impregnados, com o amor divino. Ele trouxe à terra, com o fogo que quer que esteja aceso por toda a parte. E assim, graças a esse amor, a família, além de ser a célula original da humanidade criada por Deus, tornou-se a célula básica da Igreja fundada por Seu Filho. Pelo amor sobrenatural que a investe, por meio do Batismo e dos outros sacramentos, especialmente do Matrimônio, os membros da família, de fato, são chamados de “pequena igreja”, uma “eclesiola”.
Na arte de viver e amar, temos muitos desafios e situações que exigem de nós saber perdoar. Nem todos conseguimos manter sempre o amor presente em nossa vida. Temos que recomeçar sempre. A experiência do perdão é fundamental para que o amor cresça e supere os obstáculos. Caso contrário, fazemos dos desafios problemas e dos problemas, outros problemas.
O perdão é uma expressão profunda do amor. Deus é amor e assim nos perdoa.
Quando rezamos a oração que Jesus nos ensinou, o “Pai nosso”, sempre nos comprometemos a perdoar-nos mutuamente, assim como pedimos o perdão a Deus Pai.
O ressentimento, a mágoa, a raiva, ou qualquer outra expressão de sentimentos que podemos experimentar, se não forem superados, irão afetar toda a nossa convivência em todos os ambientes e das mais variadas formas.
A experiência fundamental de nossa vida é, sobretudo, com a presença ou a ausência dos pais. E dessa experiência podemos trazer tesouros preciosos e também fortes ressentimentos.
O perdão nos liberta e nos faz ser livres para amar. Nisso está nossa vocação e missão neste mundo. Amemos nossos pais sempre e façamos de nossa família uma escola de amor.

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