1º de novembro
Solenidade de Todos os Santos
“É assim a geração dos que procuram o Senhor!”
A Igreja celebra, em um único dia, Todos os Santos, deixando claro que o Santo é Deus, e quem ouve Sua palavra e a põe em prática está no caminho da santidade.
Na Primeira Leitura, retirada do livro do Apocalipse (cf. Ap 7,2-4.9-14), estabelecemos contato com uma de suas curiosas imagens. Um mensageiro de Deus, um anjo, e depois uma multidão de 144 mil pessoas, das tribos de Israel. É a afirmação de que a Salvação é para o antigo povo de Israel, representado por doze tribos; multiplicado pelo novo povo de Deus, os doze Apóstolos; multiplicado doze vezes por uma quantia enorme, representada por mil. A soma disso resulta em 144 mil. E não só! Vem uma multidão sem conta, de todos os povos. Eles têm palmas nas mãos e louvam o Cordeiro. É a figura de toda a humanidade, salva pelo Cordeiro de Deus, o Cristo Jesus.
O Salmo 23(24) tem o seguinte refrão: “É assim a geração dos que procuram o Senhor!” Os Santos, de ontem e de hoje (os que convivem conosco), indicam-nos o caminho. Isso ilumina a leitura de Apocalipse e prepara o Evangelho.
No Evangelho segundo Mateus, lemos o início do “Discurso da Montanha”, com as célebres “Bem-Aventuranças” (cf. Mt 5,1-12a). Felizes ou bem-aventurados são: [1] os pobres em espírito; [2] os aflitos; [3] os mansos; [4] os famintos e sedentos de justiça; [5] os misericordiosos; [6] os puros de coração; [7] os artífices da paz; [8] os perseguidos e injuriados pela vivência do Evangelho. Oito bem-aventuranças, que é o número da ressurreição. Os bem-aventurados são ressuscitados, pois são santos.
Então, santidade não é oposição ao mundo, à sociedade e à vida, mas sim um modo diferente de olhar, experimentar, responder e viver e a vida, olhando para o futuro. Sim, o futuro, pois o Reino de Deus é um projeto para nosso mundo e uma realidade na eternidade.
É isso o que afirma a leitura da Primeira Carta de João (cf. 1 João 3,1-3), quando fala do amor de Deus. Segui-Lo e buscar viver Sua Palavra é tornar-se semelhante a Ele. O evangelista João ressalta que esperar n’Ele é purificar-se.
Na Solenidade de Todos os Santos, é necessário, aliás urgente, revigorar a esperança. Ela representa um enxergar além, pelo olhar interior. Os santos, conhecidos e desconhecidos, antigos e recentes, de todos os povos, testemunham o reinado de Deus. Agora é a nossa vez!
8 de novembro
32º Domingo do Tempo Comum
O Reino de Deus é para os Sábios
A Oração do Dia pede que o Senhor “afaste de nós todo obstáculo”, em vista da nossa disponibilidade. A Primeira Leitura, retirada do Livro da Sabedoria (cf. Sb 6,12-16), é um elogio da sabedoria, experimentada pelos que a amam e procuram. É apresentada sendo viçosa e resplendente. Mas é difícil falar e propor sabedoria quando a sociedade busca, propõe e valoriza sucesso, fama e atenção. Ela vai na contramão disso tudo, pois não é êxito profissional, sucesso estético ou riqueza. Não é conhecimento nem erudição. É saber viver com retidão, na verdade e na justiça.
Por isso o Salmo 62(63) é uma oração de súplica. O orante pede a presença do Senhor. Quem se põe no caminho deseja a Deus, espera vê-lo na vida e na própria História, não somente lá na eternidade, mas já na existência de agora.
O Evangelho responde a isso com uma parábola (cf. Mt 25,1-13). Como este já é o 32o Domingo do Tempo Comum, o final do Ano Litúrgico aproxima-se, com o Domingo de Cristo Rei. O texto proclamado sugere uma conclusão para a História. Jesus anuncia que é preciso ter atenção aos sinais e à própria vida, propondo a parábola das noivas sábias e das estúpidas.
O cenário é de uma festa de dez noivas, com a expectativa da chegada iminente dos noivos. Eles demoram, propositalmente, para criar o clima de expectativa e de alegria. É necessária uma lâmpada de óleo, para iluminar o caminho e, sobretudo, poder distinguir qual é o noivo que chegará. Cinco delas não têm óleo suficiente para longo tempo. Por isso, pedem que as outras cinco lhes deem um pouco de óleo, o que prejudicaria a todas, pois tornaria o produto escasso.
As cinco imprudentes correm para buscar óleo. Nisso, os noivos chegam. Os cinco noivos das cinco noivas que têm óleo vão para as núpcias. Os outros não encontram suas noivas. Quando chegam, elas não são recebidas pelos próprios noivos, pois se demonstraram ser inaptas para o matrimônio.
Estar preparado para tudo não é fácil nem possível. Mas viver na verdade, na misericórdia e na justiça é um caminho possível para aquele que crê. Paulo, na Primeira Carta aos Tessalonicenses (cf. 1Ts 4,13-18), afirma isso ao propor a fragilidade da vida e considerar a resposta da fé: a ressurreição dos mortos. Ela faz a diferença para quem entende e crê, realmente.
O estúpido não sabe que é estúpido. Aliás, ele acha que sabe muito. Já o sábio sabe que deve ser humilde e se pergunta sempre sobre o sentido de tudo e de todos. A sabedoria vem para quem a busca e trabalha em seu cultivo. Desejar a Deus e colocar-se em Seu caminho é sabedoria.
15 de novembro
33º Domingo do Tempo Comum
Somos filhos da Luz
Na Oração do Dia, a Igreja pede que a “nossa alegria consista em vos servir de todo o coração”. O serviço a Deus é encantamento e resposta com o chamado da graça, o envolvimento afetivo e cultural com os valores e a verdade do reinado de Deus.
A Primeira Leitura está no Livro de Provérbios (cf. Pv 31,10-13.19-20.30-31). Uma leitura fragmentada. O conteúdo foca na mulher em sua relação com o esposo e a família. As expressões do referido texto não são muito agradáveis em uma situação de feminismo. Mas, o que importa é o final da leitura: “[…] a mulher que teme ao Senhor merece louvor” (Pv 31,30). Esse é o núcleo da leitura. E temor não é, exatamente, “medo”, senão respeito, interação espiritual, comunhão.
Essa afirmação abre-se para o Salmo 127(128), com o refrão: “Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos!” O Salmo descreve a situação de alguém que busca estar no caminho de Deus. O resultado disso é a bênção, que se pode entender como graça.
O Evangelho é segundo Mateus (cf. Mt 25,14-30). O referido capítulo desse evangelista é marcado por textos carregados, complexos de significados e comprometedores. Trata-se da célebre “parábola dos talentos”. A princípio, “talento” é um tipo de moeda, mas aqui pode ser entendido como aptidão, capacidade e facilidade sobre algo. Pessoas têm talentos diferentes. Alguns mais, outros menos, “[…] de acordo com a sua capacidade” (Mt 25,15). O Evangelho é claro: alguns desenvolvem o talento; outros, por algum motivo, paralisam-se.
No referido Evangelho, encontramos a seguinte afirmação: “[…] a todo aquele que tem, será dado mais e terá em abundância, mas daquele que não tem, até o que em lhe será tirado” (Mt 25,29). Uma afirmação e um destino justo, não ingrato. No olhar para a vida espiritual e interior, quando mais se busca a espiritualidade, o significado de ser e viver, mais se cresce. Em contrapartida, quanto menos se dá a atenção a isso, menos se tem. O final do Ano Litúrgico e, em breve, do Ano Civil, conduz à avaliação de como se vivem os valores, as verdades de fé e como está a esperança.
Por isso, a Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses (cf. 1Ts) chama a atenção para as surpresas da vida. “[…] o dia do Senhor virá como ladrão noturno” (1Ts 5,2), afirma o apóstolo. E conclui: “Todos vós sois filhos da luz […]” (1Ts 5,5). A esperança faz dos fiéis filhos da luz.

22 de novembro
34º Domingo do Tempo Comum (Jesus Cristo, Rei do Universo)
“Vinde, benditos de meu Pai!”
A Solenidade de Cristo Rei foi estabelecida pelo papa Pio XII (1876-1958) em um tempo que apareciam muitos que desejavam ser reis e soberanos do mundo. O legado da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e dos fascismos que a marcaram, e que agora teimam em retornar de modos diversos, representam um alerta para quem crê: é preciso ter um critério diferente do que a Pós-Modernidade propõe para a felicidade.
Na Primeira Leitura, retirada do Livro de Ezequiel (cf. Ez 34,11-12.15-17), o profeta anuncia que apascentará as ovelhas com atenção e carinho, cuidando daquelas que estão frágeis e zelando pelas fortes. É uma metáfora da ação de Deus na História. O Salmo 22(23), famoso Salmo do Pastor, afirma que “o Senhor é o Pastor que me conduz: não me falta coisa alguma!”
O Evangelho é a continuação daquele do último domingo. No Evangelho segundo Mateus (cf. Mt 25,31-46), Jesus descreve o que se chamará de “julgamento final”. Em uma imagem grandiosa e dramática, o Rei chamará para si os que estiveram a serviço da humanidade e rechaçará os que foram egoístas e insensíveis. Esse é um convite a uma vivência concreta e coerente da fé e da esperança. É no ser humano frágil, desprezado e necessitado que Deus se encontra.
Para isso, é preciso ter um olhar diferente daquele usado no cotidiano. Um olhar interior, que busca os significados dos seres e da vida. Paulo, escrevendo na Primeira Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 15,20-26.28), anuncia Cristo ressuscitado, o primeiro ressuscitado, e os que O seguem como os que serão, também, ressuscitados. É a expectativa do sentido da vida, o “olhar interior definitivo”. Ele não está ligado a um projeto político, científico ou social, mas a um encontro duplo: [1] com o grande Outro, que é o Senhor, e [2] com o outro, que é o ser humano e a natureza. Não se trata somente de caridade, mas de verdadeira misericórdia. A luz do Evangelho anunciado ilumina o conteúdo da carta: o Ressuscitado leva o fiel até a ressurreição, e a misericórdia é o selo de tudo isso.
Cristo Rei do Universo é o Senhor da Vida e da História, mas espera que o ser humano faça a História dando sentido à Vida.
29 de novembro
1º Domingo do Advento
“Iluminai a vossa face sobre nós!”
A Liturgia começa em um novo ano, com o Primeiro Domingo do Advento. Neste Ano B, a atenção está voltada, ainda que não de modo exclusivo, ao Evangelho segundo Marcos. Os dois primeiros domingos do Advento conduzem a Igreja a pensar no fim dos tempos, e os outros dois anunciam a Encarnação como sinal de Esperança.
Neste domingo, Isaías (cf. Is 63,16b-17.19b;64,2b-7) é uma oração. A Igreja ora com o profeta ao Deus que se mostra na História. A justiça divina não é castigo ou vingança, mas uma certeza de futuro. Ele age na História, mesmo que o ser humano não a entenda e, muito menos, a controle.
Por isso, a leitura da Primeira Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 1,3-9) apresenta Paulo bendizendo e desejando a graça e a paz a seus ouvintes. Ele afirma que a presença de Deus na vida dos crentes é o grande dom. Se tudo nesta vida tem um fim, para quem crê há o dia de nosso Senhor Jesus Cristo. No conteúdo dessa carta, Paulo faz a célebre afirmação: “Deus é fiel!” A fidelidade de Deus é a resposta da pessoa ao chamado que Ele faz para a aceitação da revelação em Cristo Jesus. E não se trata de uma ideia, mas sim de uma pessoa.
O Salmo 79(80) propõe, como refrão, uma súplica: “Iluminai a vossa face sobre nós. Convertei-nos, para que sejamos salvos!” Esse belo Salmo pede que o Senhor ouça, apareça, desperte, venha e, sobretudo, volte-se e toque em Seu povo. Sem a presença do Salvador, no cotidiano do fiel, fica difícil viver.
O Evangelho segundo Marcos (13,33-37) é parte de um texto que alerta os discípulos. A fragilidade do mundo é real. Não se pode prever nada com certeza, nem a vida, nem sua qualidade. Estar na amizade com o Senhor, viver na sua graça e paz, é a vocação do ser humano. O Advento prepara os crentes para a celebração litúrgica da vinda do Salvador, alertando-os para o sentido da História. Por isso, na Oração do Dia, a Igreja afirma: “[…] que sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos”.

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