Evangelhos Dominicais Comentados – Maio 2022

por , jul 27, 2022Evangelhos Dominicais, Maio 2022, Revistas0 Comentários

1º Maio

3º DOMINGO DA PÁSCOA

Jo 21,1-14:

“Jesus aproximou-se, tomou o pão e distribuiu-o entre eles.
E fez a mesma coisa com o peixe.”

Foto Evangelho 01Maio22R
Pesca milagrosa, 1886-94, James Tissot

O evangelho de hoje é conhecido como a “pesca milagrosa”. É a terceira aparição de Jesus ressuscitado no Evangelho de São João.

  • Mar de Tiberíades: Jesus Ressuscitado, desta vez, aparece à beira do lago de Genesaré, que é o lago da Galileia. É chamado, também, pelo nome romano de Tiberíades, talvez para indicar que a missão dos apóstolos deve se estender a todos os povos.
  • Os discípulos: Jesus aparece a sete discípulos. Essa também pode ser uma referência de que a missão deve ser perfeita e se encaminhar a todas as nações.
  • A pesca: Jesus aparece em um momento da pesca. Eles estão lançando as redes. Isso deve significar o contexto da missão. A noite é “escura” e eles não pescaram nada. Pode ser que as dificuldades da Igreja no tempo da redação do Quarto Evangelho fossem assim. Mas, ao amanhecer, Jesus aparece entre eles. Mesmo falando, não é reconhecido. Jesus manda relançar a rede. E ela vai ficar tão cheia que os sete discípulos não conseguem puxá-la.
  • “É o Senhor!”: O discípulo amado, o mesmo que na Ceia reclinou-se sobre Jesus (Jo 13,22-26), é o primeiro a reconhecer o Senhor.
  • Pedro veste a roupa e se joga no mar: normalmente fazemos o contrário: tiramos a roupa para nos jogarmos nas águas. Mas aqui a “roupa” tem outro sentido. “A veste representa a conduta dos santos” (Ap 19,8). Pedro veste a roupa para ir ao encontro de Jesus, para ir em missão, servindo e amando.
  • Jesus prepara o alimento: É Ele quem prepara a refeição para seus discípulos com peixe assado e pão, mas é preciso também a participação dos discípulos. Por isso, pede alguns dos peixes que eles mesmos haviam pescado.
  • Os 153 peixes: na rede havia 153 grandes peixes. Para São Jerônimo, este era o número dos grandes peixes catalogados na época. Isso quer dizer que na rede e na barca de Jesus cabem todos. Mais um sinal da universalidade da missão da Igreja.
  • E a rede não se rompeu: A Igreja precisa ser essa rede que não se rompe, não se divide, ser o lugar onde cabem todos.
  • Tomou o pão e distribuiu-o: A fórmula é parecida com o gesto de Jesus durante a multiplicação dos pães (Jo 6,11) e também muito similar ao que Ele fez à mesa com os discípulos de Emaús (Lc 24,30). Isso nos remete com certeza ao rito eucarístico.

 

Na ausência do Ressuscitado, a missão da Igreja é destinada ao fracasso, mas, com sua presença, a obra da “pesca” (a evangelização) está garantida. Em tempos de crise, que confiemos mais e nos anime a presença de Jesus que nos pede de lançar as redes. Neste dia 1º de maio, Deus abençoe todos os trabalhadores e todas as trabalhadoras pela intercessão de São José Operário.

8 MAIO

4º DOMINGO DA PÁSCOA DIA DAS MÃES E DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO
PELAS VOCAÇÕES

Jo 10,27-30

“Eu dou a vida eterna pelas minhas ovelhas”

O tema do evangelho de hoje está ligado ao discurso sobre o pastor de nossas vidas que é Jesus, que se apresenta como o Bom Pastor.

  • Festa da Dedicação: ou Festa das Luzes, em hebraico, essa festa é chamada Hanukká. É Judas Macabeu aquele que – diante da profanação do templo por Antíoco IV, Epifânio – consegue vencer o rei estrangeiro e retomar o Templo de Jerusalém, consagrando-o novamente. A partir daí, passou ser celebrada a festa que durava oito dias (1Mac 4,36-59). Em sinal de alegria, muitas luzes eram acesas em todo o território.
  • “Minhas ovelhas”: toda a vida de Jesus foi mostrar que sua missão era em favor dos pobres e excluídos (suas ovelhas). Mas os chefes e autoridades judaicas não acreditaram na pessoa e na obra d’Ele. No entanto, Jesus deu sua vida pelas ovelhas, tornando-se fundamento da nossa vida. Quando a fé não é dada a Jesus, que dá a vida, o ser humano se entrega nas mãos dos ídolos, que tiram a vida (Sl 115).
  • Arrancá-las da minha mão: A mão indica a força, o poder, a capacidade de agir. A mão de Jesus – que é a mesma do Pai – defende as ovelhas. Ele as liberta e lhes dá a vida que ninguém e nada fora d’Ele podem dar. Se, na morte da cruz, foi ferido o pastor, e as ovelhas foram dispersadas (Mc 14,27); na ressurreição, elas foram de novo reunidas.
  • “Eu e o Pai somos um”: o plural “somos” mantém a distinção das pessoas, enquanto o singular “um” afirma a unidade da divindade. Temos aqui o cume da revelação de Jesus. Corresponde àquela afirmação que Ele faz a respeito de si mesmo como o Filho do homem: “se sentará à direita do poder de Deus” (Lc 22,69). Pai e Filho são plena comunhão de amor, um único ser e agir, entender e querer. É o mistério de um Deus que é uno, mas não solitário, pois é perfeita unidade de amor de Pai e Filho.

Jesus revela-se, neste domingo, como Bom Pastor e mostra sua verdadeira identidade: Ele e o Pai “são um” (Jo 10,30). É Jesus, o bom e belo Pastor que nós seguimos – ou deveríamos seguir – como ovelhas dóceis que escutam sua voz! Ofereçamos nossas preces por todas as mães vivas ou falecidas. Rezemos também pelas vocações, sobretudo, por aquelas ao sacerdócio e à vida consagrada.

15 DE MAIO

5º DOMINGO DA PÁSCOA

Jo 13,32-33a.34-35

“Eu vos dou um novo mandamento:
amai-vos uns aos outros”

O trecho lido hoje e que se segue ao lava-pés apresenta a glorificação no amor. Na Ceia, Jesus já havia previsto que um dos Doze ia traí-lo (Jo 13,10-11). O cenário é ainda da Ceia Pascal, quando Jesus se prepara para sua passagem (Páscoa). É o início do discurso do “adeus”, discurso que não deve ser motivo de tristeza, pois nele Jesus já antecipa sua glória.

  • Depois… agora…: contrapõe-se um depois e um agora. Depois da traição de Judas, inicia-se outra etapa. “Agora” é o início da “hora” da glorificação do Filho do Homem (Jo 12,23).
  • Glorificação: Nas Escrituras, a glória é a manifestação de Deus. Dando sua vida, Jesus cumpre até o fim a obra que o Pai lhe dá para realizar, em uma obediência perfeita, o que atesta sua unidade com o Pai e manifesta sua divindade, ao mesmo tempo em que revela e glorifica o Pai.
  • A partida/ausência: A glorificação de Jesus culmina com Sua partida, isto é, Sua morte. Essa partida, que foi anunciada aos judeus (Jo 7,34; 8,21), vai separá-Lo, também, ao menos temporariamente, dos discípulos. Mas por Sua partida e Sua volta para junto do Pai é que o Filho está verdadeiramente junto aos discípulos (Jo 14,1-29).
  • “Filhinhos”: no versículo 33, aparece pela primeira vez uma expressão nova: Jesus chama os seus de “filhinhos”. Trata-se de uma expressão carinhosa e repleta de amor.
  • “Um pouco de tempo ainda estarei convosco”: Como ser humano, Jesus vai morrer e deixará de existir corporalmente junto de Seus discípulos. Eles o buscarão em vão no mistério da morte, mas o encontrarão vivo na Sua ressurreição.
  • “Dou-vos um novo mandamento”: O novo mandamento que Jesus dá é um resumo e, ao mesmo tempo, a plenitude da lei. Não se trata mais de amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18), mas de amá-lo como Jesus amou.
  • “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos”: os fariseus julgavam-se separados, pois cumpriam todos os mandamentos da Lei. Não é isso que Jesus pede. Pede a caridade, o amor. Este é o novo mandamento e também novo sinal: por meio da caridade dos seus membros é que a Igreja manifestará sua semelhança e sua união com Jesus (Jo 17,21).

O amor aos irmãos, e mesmo aos inimigos, pela prática do perdão, dirá se estamos cumprindo o novo mandamento deixado por Jesus!

22 DE MAIO

6º DOMINGO DA PÁSCOA

Jo 14,23-29

“O Espírito Santo vos recordará tudo o que eu vos tenho dito”

Na passagem deste Domingo, Jesus insiste por três vezes que quem o ama deve observar seus mandamentos. Sua partida deixará um vazio, mas Ele inaugura um novo modo de sua presença (Jo 14,2-3) É o princípio de seu ser em nós com seu amor. É a sua herança, seu testemunho. E promete o envio do Espírito que continuará sua missão.

  • “Quem me ama”: o critério de pertença ao grupo de Jesus muda. Não basta ter sido chamado. Para ser seu discípulo é preciso amar. Esse verbo aparece sete vezes nesse pequeno texto.
  • “Meus mandamentos”: embora a expressão esteja no plural, há um só novo mandamento: o do amor recíproco. Essa nova lei de Jesus substitui os 613 mandamentos que os escribas haviam elencado na Torá.
  • “Viremos e faremos morada”: Jesus, agora, fala no plural. Demonstra, assim, a comunhão de vontades entre Ele e o Pai. Onde Jesus está, estará também o Pai (e subentende-se também, o Espírito Santo).
  • O Defensor, o Espírito Santo: Jesus prometeu que não deixará Seus discípulos órfãos (Jo 14,18). O Pai enviará, em nome de Jesus, o Paráclito. É o Espírito Santo que guiará a comunidade dos discípulos, a Igreja, após a partida de Jesus.
  • Vos ensinará, vos recordará tudo: a função do Espírito Santo será de ensinar tudo, orientar os discípulos na caminhada. Ele recordará tudo, fará memória para que os discípulos não esqueçam as palavras e as obras de Jesus.
  • A paz de Jesus: a paz é o dom que contém todos os outros. É palavra cara ao judaísmo e significa “harmonia, saúde, bem-estar, plenitude das relações fraternas, entre outros exemplos. Jesus deixa a paz messiânica, plenitude de toda a bênção. Essa paz nasce do amor (Jo 14,15-23) e floresce na perfeita alegria (Jo 14,28 b).
  • A paz no mundo: a paz que Jesus traz não é “a paz do mundo”. A paz de Jesus possui raízes divinas: nasce de um amor mais forte que a morte. Vive no Crucificado ressuscitado, que nos torna concidadãos dos santos e familiares de Deus (Ef 2,14-19).
  • “Não se perturbe o vosso coração”: Jesus havia exortado para que os discípulos não se perturbassem (Jo 14,1) e repete isso mais uma vez. O anúncio de que Ele partirá é o motivo desta perturbação que deixa o grupo triste. Mas Ele transmite a certeza e a confiança de que não os deixará sozinhos, pois irá para junto do Pai, de onde intercederá por eles.

Somos filhos. Não somos órfãos nem estamos sozinhos. O Espírito Santo guia sua Igreja depois da partida de Jesus, e isso traz conforto para os discípulos daquele tempo e de hoje. Antes de partir, Jesus deixou-nos Sua paz.

29 DE MAIO

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR

Lc 24,46-53

“Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu”

São Lucas relata em duas ocasiões a ascensão de Jesus aos céus. A primeira vez é no final do Evangelho (Lc 24,50-53) e a finalidade é concluir de forma gloriosa a missão de Jesus Cristo aqui na terra. A segunda vez é no início do livro dos Atos dos Apóstolos (At 1,9-11), em que a ascensão é o ponto de partida para a caminhada da Igreja, que se inicia sob a ação do Espirito Santo.

Foto Evangelho 02Maio22R
  • O Cristo sofrerá e ressuscitará: A ressurreição não é um conteúdo secundário ou marginal da fé, mas seu coração. Com ela, mantém-se em pé ou caem por terra a promessa de Deus, quanto à esperança última do homem (1 Cor 15,26). De fato, se Cristo não ressuscitou, nossa fé é ilusória e nossa esperança é vazia (1Cor 15,12).
  • O testemunho: nessa passagem, Jesus mostra seu “testamento” aos discípulos no Evangelho segundo São Lucas. A parte que cabe às comunidades cristãs é o testemunho. Porque Jesus já terminou Sua missão. Agora é o início do tempo da Igreja, que deve levar seu nome a todas as nações.
  • Anunciar a todas as nações, começando por Jerusalém: O anúncio deve começar por Jerusalém. Foi em Jerusalém que Jesus deu o testemunho e é ali que começa também o testemunho dos discípulos (At 1,8). Depois deve chegar a todos os confins da terra.
  • “Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu”: o mesmo Pai que, pela boca dos profetas, prometeu que enviaria o seu Ungido, promete que não deixará os discípulos sozinhos.
  • “Permanecei na cidade”: diferentemente de Mateus e Marcos, nos quais o Ressuscitado pedia aos discípulos para se dirigirem à Galileia (Mt 28,10; Mc 16,7), em Lucas os discípulos devem permanecer em Jerusalém.
  • Ali ergueu as mãos e abençoou-os: trata-se da última ação de Jesus para com Seus discípulos no Evangelho. Ele abençoa, transmitindo a força e a graça sobre os Seus.
  • Afastou-se deles e foi levado para o céu: sua partida é um momento de glória: deixará de ser visível para estar presente em sua Igreja por meio da Eucaristia e de Sua palavra (daí ser necessário fazer memória!)
  • Eles O adoraram: somente a Deus podemos adorar. O gesto de adoração é um reconhecimento da divindade por parte dos discípulos.
  • Voltaram para Jerusalém, com grande alegria: os discípulos cumprem a ordem de Jesus e retornam a Jerusalém. Retornam com alegria. O Evangelho segundo Lucas começa com alegria (Lc 1,14-28.44.58; 2,10) e também se encerra com alegria. A Boa-Nova deverá ser levada ao mundo também com alegria.

Neste Domingo, comemora-se o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social, rezemos para que a Boa-Nova do Reino seja anunciada por todos os meios e possa chegar efetivamente a todos!

 

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