Neste artigo, vou analisar um pouco das razões pelas quais a pessoa deve se batizar.
Ou quando criança, ou quando adulto. 
A primeira razão é, evidentemente, para cumprir o preceito do Evangelho segundo São Mateus (cf. Mt 28,16-20). Quer dizer que existe aqui
uma relação necessária entre fazer discípulos, batizar, cumprir o Evangelho e esperar o Salvador.
Esse é um esquema que deveríamos seguir. Fazer discípulos em primeiro lugar.
Batizar em segundo lugar. Cumprir o Evangelho de Jesus Cristo e Seu projeto. E esperar a nova vinda do Senhor.

 

Fazer discípulos para quem? Evidentemente, para Nosso Senhor Jesus Cristo. A partir desse discipulado que vem da pregação querigmática, nós poderemos batizar as pessoas. Ou seja, o Batismo é a opção segunda de uma opção primeira feita para o Cristo.

Na velha Europa pós-cristã, estamos tendo um movimento novo de adultos pedindo o Batismo. Passando de um Batismo cultural para um Batismo a partir de convicções individuais. Os que creem querem ser católicos, por isso pedem o Batismo. Muitos vêm de famílias ateias ou mesmo muçulmanas. O Batismo, assim, é fruto de uma conscientização/evangelização.

Outra razão suficiente é para receber a salvação que vem de Nosso Senhor Jesus Cristo. O crente, ao ser batizado, recebe a salvação de forma
concreta, a partir do Sacramento. Nós, católicos, acreditamos que a salvação não vem somente pela fé, mas sim pela fé e pelo Sacramento.
Ao recebermos o Sacramento do Batismo, somos salvos de forma coletiva, somos incorporados. A comunidade dos pecadores/seguidores de Cristo. Como dizia Santo Agostinho de Hipona (354-430), ninguém vai se salvar de forma individual. O céu é coletivo/comunitário, mas o inferno é individualista. A Igreja, apesar de todas as dificuldades humanas, é já a experimentação da fraternidade universal do amor do Cristo. Ao sermos batizados, o Batismo concede-nos a graça de entrarmos para a Igreja esposa de Cristo, no modo de experimentação do céu. Também nos propicia a chance de crescer em virtudes, ao proclamar e viver a vida do Cristo coletivamente em comunidade.

Assim, a comunidade cristã manifesta-se como canteiro de obra. No Batismo, somos plantados no Cristo para colhermos os frutos da Vida Eterna. A comunidade cristã é, assim, a sementeira de virtudes e de salvação de Cristo. Ao fazermos parte da comunidade cristã, iniciamos uma caminhada coletiva, rumo ao céu.

Ao contemplamos a pia de nosso Batismo, estamos contemplando a piscina que nos deu nossa salvação. E que nos incorporou ao Cristo, Nosso Senhor. Aquela bacia, piscina de pedra, mergulhou-nos na água da salvação.

Espero que este conteúdo auxilie os leitores a entenderem um pouco mais sobre a dinâmica da salvação, que começou em nós a partir de nosso Batismo. Mais do que uma obrigação, é uma oportunidade de acolhermos a graça de Deus, que nos veio gratuitamente: “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19).

Autor

  • Pe Paulo Dalla Dea

    Doutor em Teologia Pastoral, com especialização em Catequese de Crisma. Missionário da Misericórdia do Vaticano, atualmente é capelão no santuário de Nossa Senhora de Lourdes, na França

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