Evangelhos Dominicais – Maio 2026

por maio 1, 2026Evangelhos Dominicais, Maio 2026, Revistas0 Comentários

3 de maio 

5º Domingo da Páscoa

Jo 14,1-12

“Quem me viu, viu o Pai!”

O Tempo Pascal propõe um conjunto de leituras que anunciam e ensinam sobre a pessoa e a missão de Jesus, sob a luz da Ressurreição. 

No Domingo da Páscoa, lemos sobre Jesus ressuscitado, oferecendo, com o Espírito de Deus, o dom de perdoar pecados (cf. At 10,34-43). Isso restabelece a possibilidade de vida e de liberdade. 

No 2º Domingo Pascal, Jesus recebe a confissão de fé de Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!” (Jo 20,28).

No 3º Domingo, refletimos sobre o encontro de Jesus com os dois discípulos que caminhavam para Emaús. Eles recebem o anúncio do Ressuscitado, são por Ele próprio catequizados e reconhecem Sua Presença no partir do pão (cf. Lc 24,13-35). 

Já no 4º Domingo, sabemos que Jesus é a “porta das ovelhas”. Ele é o acesso à Verdade e a Vida: o Caminho para o Pai (cf. Jo 10,7). Este é o tema do Evangelho deste 5o Domingo Pascal: Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida. Antes, porém, vejamos as leituras. 

A Primeira Leitura é retirada de Atos dos Apóstolos (cf. At 6,1-7). Pouco depois da Ressurreição, a Igreja está em expansão. Começam alguns problemas, e o grupo de fiéis que vem do mundo grego se sente prejudicado pelos integrantes do grupo originário do mundo judaico. Os Apóstolos precisam decidir; então, criam os diáconos, escolhendo para isso sete homens, todos de origem grega. Eles deverão servir aos mais frágeis e organizar a Igreja. Esse foi um passo importante, pois nesse grupo está Estêvão, que terá um papel destacado na história. 

O Salmo é o 32(33), que pede, de modo insistente, a graça. Ela é a presença do Senhor, de Sua Palavra. O Salmo inspira confiança, segurança e convida à busca da relação do ser humano com Deus. 

A Segunda Leitura é da Primeira Carta de Pedro (cf. 1Pd 2,4-9). O apóstolo convida seus ouvintes a aproximar-se de Jesus. Ele é a pedra rejeitada que, afirma Pedro, tornou-se a pedra fundamental, onde tudo está construído. Essas imagens são importantes quando compostas com a marcante afirmação de Jesus no Evangelho (citada anteriormente). Ele declara que é o “Caminho, a Verdade e a Vida”. 

O Evangelho segundo João (cf. Jo 14,1-12) apresenta-nos parte do último encontro de Jesus com Seus discípulos. São as palavras de um homem que está no limite. Elas nascem do afeto, das certezas existenciais. O tema principal parece ser o sentido, a direção, o significado de tudo o que estava acontecendo. E Jesus afirma para Tomé que Ele próprio é o único que
conduz ao Pai. E mais: Filipe pede para ver o Pai. A isso, Jesus afirma que “Quem me viu, viu o Pai!” (Jo 14,9).

A Ressurreição de Jesus mudou radicalmente a percepção dos discípulos a Seu respeito. Tudo adquiriu sentido e, a partir de então, a história tem um caminho. Essa certeza é para cada crente. 

10 de maio 

6º Domingo da Páscoa

Jo 14,15-21

“O Espírito da Verdade”

O 6º Domingo da Páscoa apresenta-nos, em Atos dos Apóstolos (cf. At 8,5-8.14-17), Pedro e João, que vão até a Samaria. Lá, eles impõem as mãos sobre os fiéis que haviam sido convertidos pela palavra do diácono Filipe, que os visitara. A vinda do Espírito Santo sobre eles confirma a missão que os Apóstolos haviam recebido. Essa foi a segunda vez, o “segundo Pentecostes”, no qual ouvimos a vinda do Espírito sobre fiéis que o aceitam.

Em Atos dos Apóstolos, Jesus havia dito que dos discípulos seriam Suas testemunhas “[…] em Jerusalém, na Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8). São os primeiros frutos do Espírito de Deus, que o Salmo 65(66), proposto neste domingo, canta: “Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira!” 

A Segunda Leitura é retirada da Primeira Carta de Pedro (cf. 1Pd 3,15-18). Aqui Pedro exorta seus ouvintes, que certamente receberam o Espírito de Deus, a agirem de modo “espiritual”. Quer dizer, permitindo que o Mistério de Deus se manifeste na vida de cada um, na busca de Sua vontade. A vida de quem tem o Espírito é pautada n’Ele, não em valores e fantasias do mundo. Ela exige mudança, conversão. 

Por isso, a Igreja propõe a leitura do Evangelho segundo João (cf. Jo 14,15-21), continuação do Evangelho do domingo anterior. Jesus promete “outro Defensor”. O primeiro “Defensor” é o próprio Jesus, claro. E o “outro Defensor” é, como Ele mesmo afirma, o Espírito da Verdade. Isso indica que não é uma opinião sobre Deus, uma criação fantasiosa, psicológica, ficcional, romântica, ideológica que nos faz ser Igreja, Corpo de Cristo, Povo de Deus. É a Pessoa do Espírito da Verdade, enviada pelo Pai e pelo Filho, que torna isso possível. 

Neste 6º Domingo Pascal, Jesus prepara os crentes para aceitarem e viverem o dom do Espírito, que é o próprio Deus. Desde o século XVIII, o ser humano procura “desfazer-se do incômodo da Igreja”, que é, na realidade, o “incômodo de Deus”. E surgiram diversas ideologias, como o capitalismo, que endeusa o lucro; o positivismo, que elege como deus a ciência empírica; os muitos socialismos, que creem que a luta de classes diviniza a pessoa. E tem o ateísmo, que julga o livrar-se de Deus o caminho para a felicidade humana. 

O Evangelho afirma que o Defensor é o Espírito da Verdade, que, vindo do Filho e do Pai, transforma o modo de ver superficial para um modo de enxergar o interior, que é o Mistério. “Vinde, Espírito da Verdade, Espírito de Deus”. 

17 de maio 

Ascensão do Senhor

Mt 28,16-20

“Eu estarei convosco todos os dias”

O 7º Domingo Pascal propõe uma reflexão sobre a Ascensão de Jesus. Na Primeira Leitura, presente em Atos dos Apóstolos (cf. At 1,1-11), depois da recordação de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, o texto descreve os últimos encontros de Jesus com a Igreja nascente. Ele ordena que não se afastem de Jerusalém até que a promessa do Espírito se realize. 

Em seguida, Jesus deixa a presença visível com os Apóstolos e os discípulos. Ele continua presente, mas em Seu Mistério, nos Sacramentos de Sua presença. Para entender isso, é preciso saber “enxergar”, ter o Espírito da Verdade. 

A partida de Jesus inaugura os “últimos tempos”, que são os nossos. “Últimos” não porque imediatamente terminais, mas porque são a etapa conclusiva da história. O ser humano tem tudo para compreender e viver a vida e a história, fazendo-a lugar de salvação. 

Por isso, a Segunda Leitura é retirada da Carta de Paulo aos Efésios (cf. Ef 1,17-23), quando Paulo exorta seus ouvintes a terem um “espírito de sabedoria”, não de simples “opinião”. Exatamente o contrário do que hoje se estimula: opinião sobre tudo, mesmo que seja um assunto desconhecido. Isso é olhar de modo superficial difuso, imaturo. O “espírito de sabedoria” nasce do “enxergar”, que é a visão interior das pessoas, dos fatos, da história. A Sagrada Escritura, a Igreja e sua Tradição, os Sacramentos e toda a experiência cristã de dois mil anos são caminhos seguros para esse enxergar. 

No breve texto do Evangelho segundo Mateus (cf. Mt 28,16-20), vemos Jesus exortando, ordenando que os onze discípulos, na Galileia, fizessem discípulos, ensinando e batizando. Essa missão é sagrada e transforma tudo. Jesus elevou-se, como o Salmo 46(45), proposto neste domingo, canta: “Por entre aclamações Deus se elevou. O Senhor subiu ao toque da trombeta”. Não mais visível como um homem, Jesus agora é o centro da Igreja que O segue e O propõe. Ele continua a agir pela Palavra, pela Tradição, pelos Sacramentos e pela ação de mulheres e homens santos ao longo dos séculos. A palavra de Jesus, que conclui o Evangelho, é confortadora: “Estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo!” (Mt 28,20).

É quase certo que toda geração se vê, a si mesma, no pior tempo da História. Nossos tempos são difíceis, certamente, pois são únicos (como todos os outros), mas têm, seguramente, desafios que o passado não sonhou enfrentar nem na mais absurda ficção científica. O Espírito da Verdade continua conosco. Ele nos ensina. E a história que a Igreja fez e faz nos indica acertos a serem imitados e erros a serem evitados. É a presença constante, “sacramental” de Jesus, que nos indica o caminho. 

Pentecostes, entre 1612 e 1614, Juan Bautista Maíno

24 de maio 

Pentecostes

Jo 20,19-23

“A paz esteja convosco. Recebei o Espírito Santo!”

A solenidade de Pentecostes tem a celebração da Vigília, que é para a noite entre o sábado e o domingo, e a celebração do dia, que é para o domingo. Aqui vamos nos ater a esta, a do Domingo de Pentecostes. 

Em Atos dos Apóstolos (cf. At 2,1-11), encontramos a descrição do evento de salvação deste domingo. O Espírito de Deus entra na história e a transforma. Notemos que, no referido livro, há várias vindas do Espírito, sendo a do capítulo 1 a primeira. Depois, temos o trecho de quando samaritanos recebem o Espírito (cf. At 8,14-17). Há a passagem de quando Pedro batiza os não judeus que recebem o Espírito Santo (cf. At 10,44-48). E há ainda outra vez, quando, em Éfeso, Paulo batiza discípulos de João Batista que aceitam a Salvação que está em Jesus Cristo (cf. At 19,1-7). Eles imediatamente manifestam a força do Espírito. Desses episódios, o primeiro é citado na Liturgia. 

No Salmo 103(104), nós pedimos: “Enviai o vosso Espírito Santo, e da terra toda a face renovai!” Esta é uma bela oração, mas pode não nos dar a entender que o Espírito Santo pode e deve mudar nosso modo de pensar e agir. Aqui reside o problema: pedimos o Espírito, mas estaríamos dispostos a, tendo-o recebido, permitir que Ele nos mudasse? É isso que a Segunda Leitura nos sugere, retirada da Primeira Carta aos Coríntios (cf. 1Cor 12,3b-7.12-13), quando Paulo insiste nas múltiplas realidades da vida, e no único fato de nossa identidade de Corpo do Senhor. 

A disposição em formar um corpo unido no Mistério de Cristo é dom do Espírito, não apenas prazer ou aventura emocionante. É compromisso com a Salvação, com a Igreja, com a Verdade. Isso não é uma opinião pessoal, mas Mistério de Deus que se revela. 

Isso tudo é forte de pensar e de enfrentar, mas vem como um sopro. É o “sopro” de Deus, proposto pelo Evangelho segundo João (cf. Jo 20,19-23). É quase o mesmo texto proclamado na Páscoa, ressaltando-se o fato do “sopro” de Jesus e na imediata constatação de dois frutos: a paz, que Jesus afirma duas vezes, e o perdão dos pecados. Não se trata aqui do estabelecimento do Sacramento da Reconciliação ou Confissão, mas de algo muito profundo e significativo para a história. O perdão, fruto do Espírito, restabelece a ordem original. Sim, pois se o pecado, que é a negação de Deus, rompe a ordem original (cf. Gn 3), o perdão dos pecados conduz à origem desejada por Deus na Criação. O mesmo Espírito de Deus que criou, agora santifica com a transformação. 

O Espírito Santo transforma, melhora. Na “sequência”, que é uma poesia que deve ser cantada após a Segunda Leitura e antes da aclamação ao Evangelho, encontramos essa ideia de renovação, de transformação, de plenitude e de sentido para a vida. Tudo fruto do Espírito. 

31 de maio 

Santíssima Trindade

Jo 3,16-18

Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Aqui estamos no Mistério que tanto encantou escritores, pregadores e contemplativos ao longo dos séculos: o próprio Deus! Em nossos tempos, como os anteriores a nós, sempre houve pessoas que desejaram controlar Deus: defini-Lo, contê-Lo, explicá-Lo de algum modo. Também a Sagrada Escritura tentou, e a Tradição da Igreja e sua Teologia buscaram respostas e propostas. 

Na Primeira Leitura deste domingo, vamos refletir sobre o livro do Êxodo (cf. Ex 34,4b-6.8-9), com a súplica de Moisés que vê o Povo de Israel como “cabeça-dura”, necessitado do perdão. Ele chama a Deus de “misericordioso, clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (cf. Ex 34,6-7). É um ótimo modo de identificar a Deus! Claro, quem não tem o dom da fé ou rejeitou a Deus anulou esse dom. Não irá entender isso; é como um idioma totalmente desconhecido. 

Mas para o crente, que reconhece a ação e presença de Deus, o Salmo deste domingo, que é parte do livro de Daniel (cf. Dn 3), apresenta uma ladainha de louvores a Deus. Isso conforta o fiel que busca Deus no cotidiano de sua vida. A isso, Paulo, na Segunda Carta aos Coríntios (cf. 2Cor 13,11-14), exorta os crentes a alegrarem-se, trabalharem e aperfeiçoarem-se no conhecimento de Deus. Paulo oferece “a graça do Senhor Jesus, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo” (2Cor 13,14). Aqui está a origem da fórmula trinitária usada em orações, textos e louvores na Igreja. 

Em nossos dias, plenos de tecnologia, de virtualidade, de avanços científicos e sociais, mas também de violências, de ameaças de destruição, de incertezas políticas e econômicas, precisamos ouvir a Palavra de Jesus no Evangelho segundo João (cf. Jo 3,16-18). Ele dialoga com Nicodemos, à noite, quando é possível aprofundar o sentido das coisas e das pessoas. E afirma que “Deus enviou seu Filho não para condenar, mas para salvar” (Jo 3,17). É a Salvação que Deus deseja. Mas por quê?

Porque o ser humano negou a Deus e colocou-se em Seu lugar: tornou-se deus de si e do mundo. Então, Deus, o Pai, fez de Seu Filho, que é Deus, um homem, e O colocou no mundo, no lugar mais humilde e quase insignificante. Isto é parte do Mistério: o esvaziamento de Deus para que o homem possa encontrá-lo, conhecê-lo, aceitá-lo e ser salvo por Ele. 

O Sinal da Cruz é uma síntese extraordinária disso tudo. Em um sinal de Salvação, que é a cruz, e com uma frase, o resumo do Mistério: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” 

Que a solenidade da Santíssima Trindade nos inspire o desejo de Deus e a prática correta e sincera deste sinal. De modo eloquente, ele afirma o dom de nossa esperança.

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