O culto aos santos é conhecido por uma riqueza impressionante de iconografias, que enchem os olhos dos contempladores e o espírito dos contemplativos. São imagens que esbanjam beleza e espiritualidade, intregrando a centenária, antes, milenar tradição da Igreja Cristã, nas versões oriental e ocidental.
No Oriente, predomina a iconografia clássica, com seu estilo sóbrio, delicado e enternecido. Na iconografia do Ocidente, são grandiosas as representações em estátuas em estilo clássico e uma ampla variedade de estilos e escolas de pintura, que atravessam os séculos e seguem em nossos dias, como parte da arte universal, mas, sobretudo, inspiradas na catequese e na ambientação dos templos cristãos.
Em relação à religiosidade e à liturgia cristãs, essas obras de arte servem para manifestar elementos constitutivos da religiosidade que perpassa os povos e suas comunidades
Esses exemplares, que figuram em vitrais, paredes, muros e sulfitos, desvelam as características epocais do itinerário artístico de tantas escolas de arte e de seus gênios, que se manifestam de tempos em tempos. É um precioso patrimônio para a humanidade. Em relação à religiosidade e à liturgia cristãs, essas obras de arte servem para manifestar elementos constitutivos da religiosidade que perpassa os povos e suas comunidades. Há uma grande variedade de modelos, e cada um deles tem a função de dinamizar as preces e os rituais dos fiéis.

Ícone bizantino de Santa Mônica, ícone ortodoxo, iconografia cristã, Georgi Chimev
Modelos iconográficos
O primeiro objetivo é reconhecer a importância dessas imagens, representadas em pinturas, esculturas e modelos arquitetônicos. É uma riqueza com grande variedade e, ao visitar os templos cristãos e católicos, os admiradores e, sobretudo, os fiéis encontram modelos diferenciados de representação de santos, anjos e personagens bíblicos.
Podemos retomar o tema, confirmando que as imagens acompanham a evolução cultural e religiosa dos povos e expressam traços de sua identidade. Para elucidar os conceitos, anotamos que, normalmente há distinção entre ícones orientais e imagens ocidentais. Os ícones são pinturas que destacam os desenhos e suas figuras, sempre sóbrios e modestos, mais comuns nas Igrejas do Oriente. As imagens são pinturas no modelo renascentista, com figuração mais fotográfica dos personagens, mas contemplam também estilos mais modernos e menos fotográficos. Nos ícones orientais, encontramos muitos símbolos com significado definido, como as cores, os traços, as asas e seus personagens. Na ação litúrgica das comunidades ortodoxas, as representações de Jesus Cristo, de Maria e dos santos ressaltam as doutrinas. No Ocidente, em geral, as imagens sagradas (dos santos, de Jesus, de Maria e de várias cenas bíblicas) são conteúdos para catequese e contemplação.
Na filologia, encontramos um esclarecimento mais amplo para o tema comum no culto aos santos. De fato, os ícones são imagens simbólicas que representam personagens (pessoas, divindades ou relicários) sagrados, sempre em tons de transfiguração e contemplativa. O termo grego eikhon (‘imagem’ ou ‘representação’) define símbolos do universo sagrado representados em figuras (pinturas ou esculturas). Para os cristãos, são apenas mediações do divino; porém, para os povos pagãos, seus ícones eram totens sagrados, objetos de adoração. Nesse sentido, por extensão cultural, os povos bíblicos rejeitam a iconografia, pois, em sua concepção, os fiéis transformam seus ícones em deuses.
Do ponto de vista da teologia sacramentária, ícone ou imagem é o ser visível significativo, que remete ao ser invisível significante. O ícone material e tangenciável é a imagem de um ser invisível ao qual ele remete. Assim, sua dimensão significante representa seu valor espiritual e sua existência transcendente. No momento que nossos sentidos olham ou tocam as imagens, nosso espírito é elevado à contemplação.

Ícone bizantino de São Nicolau, ícone ortodoxo, iconografia cristã, Georgi Chimev
O significado das imagens nos ícones orientais
Pela concepção simbólica dos ícones, eles são expressão de momentos sagrados, tanto da tradição bíblica quanto da tradição eclesial. O ícone é sempre compreendido como um modelo de teofania, atualizando o divino nas ações litúrgicas e na espiritualidade dos fiéis. Parte do figurativo e sensorial para remeter ao infinito e transcendente. O VII Concílio Ecumênico, realizado em Niceia, em 787, considera o ícone como anamnesis do Sagrado.
A representação iconográfica possui traços especiais e revela significados peculiares. Por exemplo, nas imagens, quando os olhos são grandes e amendoados, isso significa a contemplação da glória de Deus; quando são imagens de santos, os personagens emanam luz de sua contemplação divina. A luminosidade espiritual está simbolizada pela base dourada. De igual modo, a cor vermelha representa o amor de Deus e Sua divindade, a cor verde mostra os personagens humanos e a cor preta representa a escuridão das trevas humanas. Os ícones são instrumentos de meditação e contemplação do mistério da fé, enquanto as cores, as formas e as expressões são linguagens de contemplação.
A justificativa da representação do sagrado em imagens é encontrada na Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios (cf. 1Cor 11,7). Compreendemos assim que Deus se faz visível em Jesus Cristo e é “representável” em imagens visíveis e sensoriais. São portais entre o imanente visível e o transcendente plenamente espiritual. Os ícones não sugerem idolatria, pois não são motivos de adoração, mas remetem ao sagrado, como sua expressão visual. Afirmamos que eles são instrumentos de contemplação que despertam nos fiéis o sentimento da própria fé.
O simbolismo do culto aos santos
Com base nos símbolos, reconhecemos traços da identidade dos santos e sua importância na religiosidade popular. Assim, alguns símbolos são comuns e aparecem em muitas imagens dos santos. Alguns deles merecem destaque, pois são encontrados com grande frequência nos santos que adornam nossos templos.
a) Palmas do martírio: diversos santos, sobretudo os mais antigos que pertencem ao período do martírio do Império Romano, trazem na mão um ramo da palmeira e uma coroa de louro. Todos os santos que carregam a palma sofreram o suplício do martírio. Recordamo-nos das palmas utilizadas pelo povo para saudar Jesus em Sua entrada triunfal em Jerusalém (cf. Jo 12,12-19). O ritual das palmas tem origem na tradição do povo hebreu. Quando os sacerdotes carregavam a Arca da Aliança, a multidão assinalava a passagem desse artefato sagrado com hosanas de vitória. Entre os povos do Oriente Médio, os ramos significam vitória e alegria. Além disso, as palmas são encontradas nas ocasiões de júbilo, para acolher crianças que nascem, sobretudo filhos de reis e imperadores. A espiritualidade cristã considera os mártires grandes vitoriosos, pois tais pessoas venceram seus algozes com fé e coragem, e a iconografia os adornou com a “palma do martírio”. A presença desse elemento nas imagens é como uma recordação da fé na ressurreição. As imagens dos mártires que trazem a palma como símbolo de seu suplício apresentam o rosto muito sereno e o olhar fixo no infinito, como se contemplassem a glória divina.
b) Coroas na fronte: no elenco dos santos, encontramos duas motivações para as coroas na fronte dos santos. Por um lado, pode ser a representação histórica do personagem, quase sempre rei ou rainha, convertidos à fé cristã. Muitas imagens são retratadas com as coroas sobre as cabeças ou nas mãos, como se renunciassem às glórias do mundo e considerassem Deus como único rei, que merece a verdadeira coroa. Normalmente confeccionada de folhas de ouro, a coroa também representa uma coroação para os mártires. Na tradição dos povos, ela era posta sobre a cabeça dos vencedores de guerra e de competições esportivas. De modo semelhante, a guirlanda de louros foi inserida na iconografia cristã, destacando a resistência contra as ameaças dos poderosos ou a coragem do martírio. Como exemplo, citamos a coroa de espinhos sobre a cabeça de Jesus, o mártir dos mártires. Ressaltamos que, sobretudo para as santas rainhas, a coroa de ouro é substituída pela guirlanda de flores.
c) Flechas, pedras e outros objetos de martírio: na representação dos santos, para dar sentido e identidade aos personagens do culto, encontramos objetos referentes ao martírio ou à própria vida deles. Esses adereços revelam fatos históricos ou pitorescos de suas biografias.
Cultuar as vidas dedicadas a Deus
As vestes são expressivas na vida civil dos santos convertidos, deixando seus status de nobreza e de poderes mundanos. Igualmente, encontramos imagens dos santos ligados às ordens religiosas, como franciscanos, dominicanos, jesuítas, entre outras.
As figuras sacras conservam os elementos exteriores de identificação histórica e de sua identidade religiosa. As vestes são bem representadas tanto nas formas, quanto nas cores de suas vestes. Além das vestimentas, outro elemento comum aos santos é a auréola que, pelo brilho, demonstra o esplendor da vida daquele(a) que está na glória de Deus. Esse círculo luminoso é um adorno que define, em uma obra de arte, quem são os santos e quem são os fiéis comuns. No entanto, lembramos que todos somos chamados à santidade. Por esse motivo, devemos seguir Jesus Cristo e praticar Seus ensinamentos, para que, um dia, estejamos na glória de Deus, com os anjos e os santos, com Jesus e Nossa Senhora!

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