Viver como os primeiros cristãos

mar 30, 2024Abril 2024, Assinante, Certas Palavras, Revistas0 Comentários

“A palavra do Senhor crescia e se espalhava cada vez mais”
(Jo 14,27).

Os primeiros cristãos, muitas vezes, foram chamados de “seguidores do Caminho”. Viviam uma experiência renovadora que desafiava e encantava seus seguidores, admiradores e adversários. Mas o caminho que tiveram de percorrer era arriscado e árduo.

Eles seguiam pegadas vislumbradas, mas não vistas. E seu modo de pensar, de ser e agir, livre e operante, transformador e questionador, incomodava a muitos. Mudaram o rumo da história, indo em sentido contrário, em direção oposta à que se seguia. Uma revolução que fez que desprezados, perseguidos, perdedores e vencidos se tornassem, por fim, vencedores.

Nos cristãos da Igreja Primitiva, estão a base e a referência para a Igreja na atualidade. Transformar o mundo a partir de cada um, por uma nova consciência, uma postura, uma vivência, sendo seres humanos plenos do Espírito de Jesus, atentos aos desafios cotidianos e inquietos diante da realidade, pode parecer uma utopia, mas é a missão de Jesus que deve continuar e se manifestar em cada um dos que decidem segui-Lo.
A vida dos primeiros cristãos constituía-se em um protesto sereno e claro diante da contradição que a humanidade foi construindo com os próprios interesses desviando-se do essencial, esvaziando-se do sentido da vida e de seu mistério.

Nosso chamado, nossa vocação, são exatamente os mesmos de Jesus: ser caminho para a verdade para que todos tenham vida. Diante da contradição que é ser um cristão sem vibração interior e sem compromisso evangelizador, em que falta tudo o que é nobre e grandioso, porque não há fé, nem coragem, nem perseverança, nem fidelidade, os primeiros cristãos ensinaram-nos a radicalidade do chamado. Onde o egoísmo é abundante, mais se sente a falta de compromisso, de sacrifício que é o tesouro que conquista o verdadeiro bem.

Jesus fez tudo por todos. Convidou os passivos, chamou os “bons”, interpelou os insensíveis, comprometeu os amigos, desafiou homens e mulheres de todas as condições sociais… As respostas frias ou questionadoras não O fizeram esmorecer, pois sempre reconheceu a potencialidade de o ser humano experimentar esse novo projeto de vida. Uma existência que fosse vivenciada nas entranhas do mundo, como fermento e sal, e que os primeiros cristãos compreenderam, viveram e testemunharam.

Eles acreditaram na força da fraternidade, da mansidão, da humildade, na misericórdia que anima e é alegre, que não quer saber de poder, de dominação, de violência, mas que acredita no amor (cf. 1Jo 4,16).

Viver como os primeiros cristãos é transformar-se para transmutar. E isso vem ao encontro do desejo mais profundo de todo ser humano, atingindo a consciência também das pessoas dos dias atuais, tão impregnada de desencantos diante de um mundo sem misericórdia, nem justiça, nem bondade, mas que procura, mesmo sem o saber, o sentido da vida que só o Amor possibilita encontrar. E esse sentimento sublime se transformou em um ser humano e habitou entre nós. Conosco, fez história e mostrou a resposta que todo coração busca, de diferentes modos.
Os primeiros cristãos promoveram um amplo e revolucionário movimento de espiritualidade cujo centro era não mais uma doutrina, um código, uma lei, mas a Pessoa de Jesus acolhido e seguido como o Senhor, o Salvador, o Redentor.

Retornar à vida cristã dos primeiros tempos, com base no mistério da Encarnação (Deus faz-se homem e vive no meio de nós em Jesus, o Cristo, o humano assumido pelo Filho de Deus), faz que todos os que acolhem e assumem esse mistério mergulhem na essência da vida, contemplem e irradiem esse mistério indescritível que desafia nossos conhecimentos e nossas atitudes. Também faz que cada pessoa cresça na graça e no conhecimento d’Aquele que é, que era e que vem.

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